WILTON JUNIOR / ESTADÃO
WILTON JUNIOR / ESTADÃO

Investigação de assassinato de pastor continua mesmo após confissão

Flávio dos Santos Rodrigues, filho da deputada Flordelis, confessou ser o executor de Anderson do Carmo Souza

Vinicius Neder e Márcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2019 | 13h54
Atualizado 22 de junho de 2019 | 14h13

RIO -  A Polícia Civil confirmou que um dos filhos da deputada federal Flordelis (PSD-RJ) confessou ter executado o marido da parlamentar, o pastor Anderson do Carmo Souza, de 42 anos, assassinado no último domingo. Apesar disso, os investigadores ainda tentam esclarecer as circunstâncias do crime e apuram a participação de outras pessoas na morte do pastor.

No feriado de quinta-feira, o Tribunal de Justiça do Rio decretou a prisão temporária de Flávio dos Santos Rodrigues, filho biológico de Flordelis, e Lucas Cezar dos Santos Souza, filho adotivo do casal. A deputada e o pastor Souza tinham 55 filhos, 51 adotivos. Flávio e Lucas foram presos logo após o crime, por outros motivos – contra o primeiro pesava uma acusação de violência doméstica; contra o segundo, o envolvimento com o tráfico de drogas, quando ainda era adolescente.

Segundo a delegada Bárbara Lomba, titular da Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo, a confissão de Flávio não é suficiente para resolver o caso. “Não está esclarecida a motivação, se a execução aconteceu daquela forma que foi narrada, se são só essas pessoas envolvidas. Muita coisa está indefinida”, afirmou.

O laudo do Instituto Médico Legal revelou que o corpo do pastor tinha mais de 30 perfurações – nove na região da virilha e da coxa, oito no peito e um, provocado por tiro a curta distância, na cabeça –, mas o réu confesso teria dito que disparou seis tiros. A delegada Lomba destacou que a quantidade de perfurações é insuficiente para determinar o número de tiros, uma vez que um mesmo tiro pode resultar em mais de uma perfuração.

Na noite de quinta-feira, a TV Globo revelou que o depoimento de um outro filho de casal teria sugerido a participação de três irmãs e da própria deputada Flordelis no planejamento do crime. A arma utilizada na execução foi encontrada dentro da casa pela polícia, mas, até agora, os policiais não conseguiram achar o celular usado pela vítima.

“Temos muito trabalho a fazer ainda. Por isso, notícias prematuras, coisas que chegam até vocês [da imprensa] de forma irresponsável, às vezes, podem atrapalhar as investigações”, disse a delegada. Procurada pelo Estado, a assessoria da deputada Flordelis informou que a parlamentar não irá se manifestar no momento.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.