Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Bicheiro e policial militar são assassinados em hotel na Barra

Corpos foram encontrados no banheiro de quarto do Transamérica; polícia investiga se crime foi um acerto de contas

Lucas Gayoso, Especial para o Estado

14 de junho de 2017 | 09h00
Atualizado 14 de junho de 2017 | 21h04

RIO - O bicheiro Haylton Carlos Gomes Escafura, de 37 anos, e a soldado da Polícia Militar Franciene Soares de Souza Assis Lima, de idade não divulgada, foram mortos a tiros por homens encapuzados no Hotel Transamérica, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, na madrugada desta quarta-feira, 14.

Os criminosos invadiram o local pelo estacionamento, subiram as escadas e dispararam diversas vezes contra as vítimas. O Transamérica, na Avenida Gastão Senges, funciona como apart hotel - Escafura morava no oitavo andar.

Os corpos dos dois foram encontrados no banheiro de um quarto. O cômodo teve as paredes perfuradas pelos tiros, e o encanamento foi estourado, provocando vazamento.

'Crime bárbaro'

O engenheiro Ermano Moreira estava hospedado no 15º andar do hotel na madrugada do crime. Ele conta que ouviu diversos disparos. "Ouvi muitos tiros, e pareciam de calibres diferentes. Pensei que estava acontecendo na rua, mas fiquei sabendo o que estava acontecendo depois que liguei para a recepção do hotel", afirmou. "Fiquei bastante assustado e só consegui me tranquilizar por volta das 7 horas, quando vi que tinha muitos policiais no hotel."

Segundo o delegado Fábio Cardoso, titular da Divisão de Homicídios (DH), a Polícia Civil investiga se os antecedentes do bicheiro têm relação com o crime.

"A dinâmica do crime foi bastante violenta. Estamos investigando todo o seu histórico de relacionamentos, desavenças, para que possamos botar na cadeia os autores deste crime bárbaro", afirmou.

Black Ops

Escafura é filho do bicheiro José Caruzzo Escafura, o Piruinha, e estava em liberdade desde janeiro deste ano, depois de ter sido preso em 2012 durante a Operação Black Ops, da Polícia Federal.

Ele foi acusado de envolvimento com a máfia dos caça-níqueis do Rio. Segundo a denúncia, Escafura chefiava uma quadrilha que usava a venda de carros de luxo para lavar o dinheiro da contravenção. A quadrilha foi acusada de contrabando, comércio ilegal de pedras preciosas, formação de quadrilha e evasão de divisas. 

Já Franciene era lotada na Unidade de Polícia Pacificadora da Rocinha, na zona sul, e estava na PM desde 2014. Ela também era nutricionista, ex-guarda municipal e tinha uma filha. 

Até o início da tarde desta quarta-feira, equipes da DH permaneciam fazendo perícia no hotel. Os policiais vão analisar as câmeras de segurança do prédio.

A Polícia Civil está ouvindo pessoas próximas e parentes de Escafura. A mãe dele esteve no hotel, teve uma crise de choro e deixou o local sem falar com a imprensa.

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