Filho de Ivo Pitanguy é indiciado por homicídio doloso por acidente de carro com morte

Polícia Civil considerou que, ao dirigir supostamente embriagado - como atestaram testemunhas e os próprios policiais que atenderam a ocorrência -, empresário assumiu risco de matar alguém

Fábio Grellet, O Estado de S. Paulo

24 Agosto 2015 | 17h43

RIO - Menos de quatro dias após atropelar e matar o operário José Fernando Ferreira da Silva, de 44 anos, enquanto dirigia supostamente embriagado pela zona sul do Rio, o empresário Ivo Nascimento de Campos Pitanguy, de 59 anos, filho do cirurgião plástico Ivo Pitanguy, foi indiciado por homicídio doloso (intencional) no inquérito realizado pela 14ª DP (Leblon), segundo a Polícia Civil. A delegada Monique Vidal considerou que, ao dirigir embriagado, como atestam as testemunhas do acidente e os policiais que atenderam a ocorrência, o empresário assumiu o risco de matar alguém. 

O inquérito foi concluído e encaminhado à Justiça nesta segunda-feira, 24. Agora, caberá à Justiça aceitar ou alterar a tipificação. Em casos de atropelamento acidental, o autor costuma ser acusado por homicídio culposo (sem intenção). Mas nesse caso foi considerada a suposta embriaguez do motorista.

Pitanguy foi preso em flagrante logo após o acidente. Como ele também se feriu, até este domingo, 23, o empresário esteve internado sob custódia no Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea (zona sul). Domingo, ele foi transferido para o complexo penitenciário de Gericinó, na zona oeste do Rio, onde permanece. Na madrugada de sábado, seu advogado,  Rafael de Piro, apresentou pedido de liberdade provisória ao plantão judiciário, mas a medida foi negada. Nos próximos dias ele deve apresentar pedido de habeas corpus para tentar libertar seu cliente.

O caso. Pitanguy, que acumulava 70 multas nos últimos cinco anos, 14 delas por dirigir embriagado, seguia pela Rua Marquês de São Vicente, na Gávea, quando perdeu o controle de seu veículo, que subiu na calçada e atingiu o operário. José Fernando trabalhava nas obras de construção da Linha 4 do Metrô e havia acabado de sair do trabalho quando foi atropelado. Ele chegou a ser socorrido, mas morreu no Hospital Miguel Couto. Ivo Pitanguy sofreu traumatismo craniano e um corte na cabeça, mas já se recuperou.

Segundo o Departamento de Trânsito do Estado do Rio (Detran), nos últimos 12 meses Pitanguy somou 27 pontos em infrações de trânsito - em teoria, quem atinge 20 pontos tem a carteira de habilitação provisoriamente suspensa. O órgão abriu processo para suspender a carteira do empresário. Nesta segunda-feira, 24,, o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), afirmou ter cobrado o Detran para saber por que a carteira de Pitanguy ainda não havia sido suspensa.

Mais conteúdo sobre:
Rio de JaneiroIvo Pitanguy

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.