Mauro Pimentel/AFP
Mauro Pimentel/AFP

Forças Armadas encerram nesta sexta-feira o cerco à Rocinha

Para militares e cúpula da segurança, comunidade já está voltando à normalidade; caça a traficantes continua em outras favelas

Constança Rezende, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2017 | 19h50
Atualizado 29 de setembro de 2017 | 06h15

RIO - O ministro da Defesa, Raul Jungmann, anunciou nesta quinta-feira, 28, que o Ministério da Defesa encerra nesta sexta-feira, 29, o cerco à Rocinha, iniciado na sexta-feira passada com o recrudescimento do confronto entre grupos rivais pelo tráfico na comunidade, na zona sul do Rio. A medida vinha sendo discutida entre o Comando Militar do Leste (CML) e as forças de segurança. Pesou a convicção de que a favela se encontra estabilizada. Isso possibilitaria que os 950 oficiais e praças se retirassem, segundo Jungmann disse ao Estado.

+++ Comando diz que militar que usou máscara de caveira na Rocinha será advertido

“Apreendemos uma enorme quantidade de drogas, armas, granadas e muitas pessoas foram presas”, afirmou ele. “Também soubemos que os principais líderes do tráfico na Rocinha foram para outras comunidades. Consideramos assim por bem retirar as tropas.” Jungmann declarou que a retirada total das tropas deve ser feita em um só dia. “Mas montamos um esquema pelo qual em duas horas, se houver algum problema na Rocinha e formos acionados, poderemos voltar”, afirmou. 

Mais cedo, o porta-voz do CML, coronel Roberto Itamar, afirmara que as Forças Armadas poderiam sair a “qualquer momento” da Rocinha. De acordo com o coronel, todos os dias era avaliada essa possibilidade, “na medida em que a situação já está sendo normalizada”. 

As conversas envolviam representantes de todas as forças que participam da operação integrada. “O papel das Forças Armadas é ajudar na normalidade. A partir daí, as forças de segurança reassumem no dia a dia. Segue a vida”, afirmou Itamar ao Estado.

Na Rocinha, teme-se que, com a saída das Forças Armadas, o conflito pelo domínio da Rocinha recomece. É possível que os bandos ligados a Rogério 157 e ao seu rival, Antonio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, preso no presídio federal de Rondônia, retomem os choques armados pelo domínio da região.

Aulas

 Aos poucos, os serviços na Rocinha vão voltando à normalidade. Todas as escolas da rede municipal de ensino da região estão funcionando, segundo informou a secretaria de Educação. O atendimento nos postos de saúde e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) também voltou ao normal. Desde esta quinta-feira, equipes que haviam sido transferidas para outras unidades desde a semana passada voltaram a atuar na favela.

Segundo a Secretaria de Saúde, ações extras serão realizadas a partir desta sexta-feira. A Vigilância Sanitária circulará com veículos pela Rocinha para aplicar vacinas contra a raiva em cães e gatos. Além disso, técnicos do órgão ficarão em pontos fixos para emitir licença sanitária de bares, restaurantes, padarias, salões de beleza, clínicas médicas e dentárias, pet shops e estúdios de piercing e tatuagem.

Enquanto as ações das forças de segurança diminuem na Rocinha, a busca por traficantes ligados a Rogério 157 foi intensificada em outras comunidades do Rio. 

Nesta quinta-feira, os batalhões de Ações com Cães (BAC), de Operações Especiais (Bope) e de Choque da Polícia Militar vasculharam as Favelas Parque União e Nova Holanda, no Complexo da Maré, na zona norte. No Parque União, o Batalhão de Choque prendeu dois suspeitos. Os policiais ainda apreenderam uma pistola calibre 9 mm, munições, 318 kg de maconha, duas granadas caseiras, um kit rajada, um casaco do Exército, uma farda, uma máquina de fabricação de ecstasy, quatro balanças de precisão e outros materiais. Uma fábrica clandestina de bebidas alcoólicas ainda foi desativada.

Na Nova Holanda, os policiais apreenderam dois fuzis M16, três réplicas de fuzil, uma pistola calibre 45 mm, duas réplicas de pistolas e mais de uma tonelada em drogas, achada com ajuda de um cão farejador. A maior quantidade era de maconha, mas foram encontrados ainda 260 pinos de cocaína, 165 pedras de crack, 65 trouxinhas de haxixe e uma de skank (variação mais forte da maconha).

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.