Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Forças Armadas fazem 4ª operação na Vila Kennedy com 1.400 homens

Ação dos militares, que faz parte do Plano Nacional de Segurança Pública, teve prisão por desacato de um homem a um dos oficiais

Constança Rezende, Estadao Conteudo

03 Março 2018 | 10h02

As Forças Armadas realizaram neste sábado, 3, uma operação para desobstruir vias na comunidade Vila Kennedy, na zona oeste do Rio. O objetivo era retirar obstáculos montados por criminosos para dificultar o acesso de autoridades nessas áreas. Os militares retiraram, no total, 16 barreiras. 

Ao todo, 1.400 militares participaram da operação, com apoio de blindados e equipamentos pesados de engenharia. Algumas ruas foram interditadas para a retirada dos obstáculos. A ação foi organizada pelo Comando Conjunto das Operações e faz parte do Plano Nacional de Segurança Pública.

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Prisões

Foram efetuadas cinco prisões ao todo durante a operação deste sábado, sendo uma em decorrência de mandado em aberto e outras quatro em flagrante delito: uma por desacato a um militar, uma por desobediência e duas por posse de entorpecentes. Foram apreendidos 12 cartuchos de pistola 9mm, 10 carros e 6 motos roubados. Um total de 720 pessoas e 617 veículos foram revistados.

Um homem de 26 anos foi preso por desacato. Este foi o primeiro caso desde que começaram as operações da intervenção federal no Rio, no dia 21. De acordo com a assessoria do Comando Militar do Leste (CML), o homem, que ainda não teve a identidade revelada, foi preso porque "proferiu uma série de xingamentos, ofensas e palavras de baixo calão direcionadas aos militares", quando as tropas desembarcaram na comunidade para o início da operação.

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O homem, que seria autônomo, recebeu voz de prisão e vai responder por auto de prisão em flagrante delito por desacato a militar em serviço nas operações relacionadas à Garantia da Lei e da Ordem (GLO), segundo o CML.

Após a prisão, o homem foi conduzido à Delegacia de Polícia Judiciária Militar instalada na Vila Militar para a lavratura do Auto de Prisão em Flagrante Delito (APFD). "Ele será encaminhado à 33ª Delegacia de Polícia (Realengo) para aguardar a decisão judicial, que será exarada em audiência de custódia", informou, por nota, o CML.

O comando justificou que a prisão foi baseada no artigo 299 do Código Penal Militar, que estabelece detenção de seis meses a dois anos para quem "desacatar uma autoridade no exercício de função de natureza militar ou em razão dela". Militares ligados ao Comando Conjunto das Operações, ouvidos pelo Estado, disseram que o fato deste sábado mostra que é importante se discutir o desacato a militares porque "muita gente acha que pode sair xingando e tudo bem".

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A maioria dos crimes praticados contra militares em operações de GLO no Rio (90%) foi ligada a desacato, conforme estatísticas nas operações na Maré e no Alemão. Desobediência e resistência à prisão configuram os demais casos. Na Maré, foram registrados 144 autos de Prisão em Flagrante Delito e, no Alemão, 130.

Operações

Já é a quarta ação dos militares na região  desde que a intervenção federal no Rio de Janeiro foi aprovada pelo Senado, há mais de uma semana. Das outras vezes, os traficantes recolocaram as barreiras que impediam a entradad dos militarem assim que as tropas saíram. Dois dias após a vigência da medida estratégica via um decreto do presidente Michel Temer, fuzileiros causaram mal-estar aos moradores da região.

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Na ocasião, as autoridades tiraram fotos de moradores e de suas carteiras de identidade, o que irritou as pessoas que passavam por ali. O objetivo era agilizar a checagem de antecedentes criminais. Os moradores se sentiram humilhados e houve até quem tenha deixado de sair às ruas para não passar pelo procedimento.

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