Forças Armadas fazem 4ª operação na Vila Kennedy com 1.400 homens

Ação dos militares, que faz parte do Plano Nacional de Segurança Pública, teve prisão por desacato de um homem a um dos oficiais

Constança Rezende - Estadao Conteudo

As Forças Armadas realizaram neste sábado, 3, uma operação para desobstruir vias na comunidade Vila Kennedy, na zona oeste do Rio. O objetivo era retirar obstáculos montados por criminosos para dificultar o acesso de autoridades nessas áreas. Os militares retiraram, no total, 16 barreiras. 

Operação na Vila Kennedy visa desobstruir barricadas feitas por criminosos para barrar ação dos militares Foto: Fabio Motta/Estadão

Ao todo, 1.400 militares participaram da operação, com apoio de blindados e equipamentos pesados de engenharia. Algumas ruas foram interditadas para a retirada dos obstáculos. A ação foi organizada pelo Comando Conjunto das Operações e faz parte do Plano Nacional de Segurança Pública.

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Prisões

Foram efetuadas cinco prisões ao todo durante a operação deste sábado, sendo uma em decorrência de mandado em aberto e outras quatro em flagrante delito: uma por desacato a um militar, uma por desobediência e duas por posse de entorpecentes. Foram apreendidos 12 cartuchos de pistola 9mm, 10 carros e 6 motos roubados. Um total de 720 pessoas e 617 veículos foram revistados.

Um homem de 26 anos foi preso por desacato. Este foi o primeiro caso desde que começaram as operações da intervenção federal no Rio, no dia 21. De acordo com a assessoria do Comando Militar do Leste (CML), o homem, que ainda não teve a identidade revelada, foi preso porque "proferiu uma série de xingamentos, ofensas e palavras de baixo calão direcionadas aos militares", quando as tropas desembarcaram na comunidade para o início da operação.

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O homem, que seria autônomo, recebeu voz de prisão e vai responder por auto de prisão em flagrante delito por desacato a militar em serviço nas operações relacionadas à Garantia da Lei e da Ordem (GLO), segundo o CML.

Após a prisão, o homem foi conduzido à Delegacia de Polícia Judiciária Militar instalada na Vila Militar para a lavratura do Auto de Prisão em Flagrante Delito (APFD). "Ele será encaminhado à 33ª Delegacia de Polícia (Realengo) para aguardar a decisão judicial, que será exarada em audiência de custódia", informou, por nota, o CML.

Moradores passeiam pelas ruas da Vila Kennedy, na zona oeste do Rio de Janeiro, em meio à presença dos militares em operação da intervenção federal Foto: Fabio Motta/Estadão

O comando justificou que a prisão foi baseada no artigo 299 do Código Penal Militar, que estabelece detenção de seis meses a dois anos para quem "desacatar uma autoridade no exercício de função de natureza militar ou em razão dela". Militares ligados ao Comando Conjunto das Operações, ouvidos pelo Estado, disseram que o fato deste sábado mostra que é importante se discutir o desacato a militares porque "muita gente acha que pode sair xingando e tudo bem".

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A maioria dos crimes praticados contra militares em operações de GLO no Rio (90%) foi ligada a desacato, conforme estatísticas nas operações na Maré e no Alemão. Desobediência e resistência à prisão configuram os demais casos. Na Maré, foram registrados 144 autos de Prisão em Flagrante Delito e, no Alemão, 130.

Operações

Já é a quarta ação dos militares na região  desde que a intervenção federal no Rio de Janeiro foi aprovada pelo Senado, há mais de uma semana. Das outras vezes, os traficantes recolocaram as barreiras que impediam a entradad dos militarem assim que as tropas saíram. Dois dias após a vigência da medida estratégica via um decreto do presidente Michel Temer, fuzileiros causaram mal-estar aos moradores da região.

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Na ocasião, as autoridades tiraram fotos de moradores e de suas carteiras de identidade, o que irritou as pessoas que passavam por ali. O objetivo era agilizar a checagem de antecedentes criminais. Os moradores se sentiram humilhados e houve até quem tenha deixado de sair às ruas para não passar pelo procedimento.

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