'Gerente-geral' do tráfico na Rocinha é preso em Fortaleza

João Rafael da Silva, o Joca, foi detido desarmado enquanto aguardava 'uma pessoa' em aeroporto

Felipe Werneck, da Agência Estado,

21 de outubro de 2007 | 19h31

"Perdi, perdi mesmo", disse João Rafael da Silva, o Joca, apontado como "gerente-geral" do tráfico de drogas na Favela da Rocinha, na zona sul do Rio, ao ser preso neste domingo, 21, no Aeroporto de Fortaleza (CE). O relato é do chefe da Coordenadoria de Inteligência da Polícia Civil (Cinpol) do Rio, delegado Rivaldo Barbosa de Araújo, responsável pela prisão. Segundo ele, Joca estava desarmado e aguardada a chegada de "uma pessoa" cuja identidade não foi revelada - seria uma namorada do criminoso. O delegado e outros dois agentes embarcaram no mesmo vôo, e outros policiais da Cinpol e da 19.ª Delegacia de Polícia do Rio, na Tijuca, zona norte, já o esperavam no aeroporto. O traficante estava hospedado em um flat na Praia de Iracema "tomando vinho francês", contou o delegado, que conversou com a reportagem do Estado pelo celular, de Fortaleza. Antes de seguir para o Ceará, Joca passou pelo Distrito Federal e por Mato Grosso, segundo a investigação. "Foi um trabalho de inteligência e de integração com as polícias do Mato Grosso, do Distrito Federal e do Ceará." A "pessoa" que viajou para Fortaleza foi revistada pelos policiais e nada foi encontrado, disse o delegado. Em agosto, a polícia fez uma grande operação na Rocinha, que foi prejudicada pelo vazamento de informações. Dessa vez, os policiais localizaram Joca a partir de denúncias de moradores, e, por isso, a operação foi batizada de "Cidadão Carioca". "Foi denúncia de cidadão, não só da favela. O processo de colaboração é personalíssimo." Joca teria fugido com R$ 2,5 milhões, há cerca de dois meses. O delegado não confirmou o valor, mas afirmou que "a informação é a de que ele deu uma volta no caixa do movimento (tráfico) e foi embora". Controle O criminoso - que teria cerca de 40 anos - assumiu o controle de bocas-de-fumo da favela no fim de 2005, de acordo com a polícia, após a morte de Erismar Rodrigues Moreira, o Bem-Te-Vi, e do sucessor dele, Orlando José Rodrigues, o Soul. Armeiro experiente e padrinho de uma das filhas de Bem-Te-Vi, Joca comandaria as bocas-de-fumo na parte alta da favela, com visão mais privilegiada.  Ele dividiria o controle da Rocinha com Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, também compadre de Bem-Te-Vi e apontado como chefe da segurança do traficante morto. Segundo a polícia, os dois foram criados na favela. Joca é acusado de ter integrado as quadrilhas de Denir Leandro dos Santos, o Dênis da Rocinha, assassinado no presídio Bangu 1 em 2001, e de Luciano Barbosa da Silva, o Lulu da Rocinha, morto em confronto com a polícia em 2004. Além das acusações de tráfico e associação para o tráfico, Joca também é investigado sob a acusação de ter participado da execução de três adolescentes na Rocinha, em março deste ano. O traficante deverá ser transferido nesta segunda-feira para um presídio do Rio. A Secretaria da Segurança Pública negociava neste domingo com o governo federal a liberação de uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) para o transporte.  Está prevista para a manhã desta segunda uma entrevista coletiva na sede da Secretaria da Segurança, com a presença do titular da pasta, José Mariano Beltrame, e do chefe da Polícia Civil, Gilberto Ribeiro.

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