FABIO MOTTA/ESTADÃO
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Governador do RJ reforça segurança em Paraty após tiroteio

Um homem foi preso acusado de ser o autor dos disparos que matou Emerson de Jesus; ambos estariam envolvidos com o tráfico

Carina Bacelar, O Estado de S. Paulo

16 de fevereiro de 2015 | 11h51

RIO - O governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) determinou no domingo, 15, que 40 policiais militares reforcem o patrulhamento da cidade de Paraty, onde um tiroteio, durante o desfile de um bloco carnavalesco, resultou em um morto e nove feridos. A decisão foi tomada depois que o prefeito Carlos José Gama Miranda, o Casé (PT), conversou por telefone com Pezão.O desfile no centro histórico da cidade terá agora segurança de 120 PMs, efetivo triplicado em relação ao do início do carnaval. No domingo, já fora anunciado que outros 40 policiais do Batalhão de Angra dos Reis, responsável pelo policiamento em Paraty, reforçariam o efetivo inicial de 40 agentes.

Pezão e Miranda combinaram uma reunião depois do carnaval, no Rio, para discutir a segurança em Paraty. Segundo estimativas da Secretaria estadual de Turismo, 400 mil turistas deveriam passar pelo município, de 39 mil habitantes, entre a sexta-feira de carnaval e o próximo domingo. Miranda contou que Pezão demonstrou preocupação com o incidente na cidade. "O governador imediatamente atendeu a gente e falou que ia reforçar ainda mais do que o comandante (do Batalhão de Angra) tinha conseguido", afirmou.

Por precaução, depois do incidente a prefeitura já havia decidido modificar os horários dos blocos do centro histórico: eles passaram a desfilar de 20h até 0h30, em vez de 21h até 3h. O percurso também foi reduzido e, dos três quilômetros previstos, foi encurtado para apenas um quilômetro. No domingo, após o tiroteio, três dos maiores blocos decidiram não ir para rua, por medo de novos incidentes. Essas agremiações costumam arrastar cinco mil foliões cada, segundo a prefeitura. Já outros quatro blocos de menor porte (que atraem em média mil foliões cada um) ocorreram normalmente.


"(A suspensão do desfile) Foi uma decisão de dirigentes dos blocos. Hoje (segunda-feira) serão seis blocos no centro histórico", afirmou Casé.

Prisão. Foi preso no domingo um homem acusado de ser o autor dos disparos que mataram Emerson de Jesus, de 23 anos, conhecido como Bananinha. Miguel da Conceição Oliveira, de 20 anos, foi levado para a 167ª Delegacia de Polícia (Paraty) e, segundo o titular da unidade, Bruno Gilaberte, confessou o crime. Segundo o delegado, Miguel estava acompanhado no bloco de Denílson Silva da Conceição, o Índio. Os dois eram ligados ao tráfico de drogas e faziam parte de uma gangue rival de Emerson.

Miguel alegou em depoimento que chegou ao centro de Paraty desarmado, mas foi provocado por Emerson e um comparsa. Ambos estariam armados. Miguel teria esbarrado em Emerson, o que teria iniciado uma discussão. Desarmado, ele contou ter se afastado do rival e procurado Denílson, que lhe entregou uma arma. Miguel contou que então disparou quatro vezes contra Emerson.

"Quando Bananinha caiu no chão, a arma dele rolou, e um amigo (de Emerson) começou a atirar", afirma Gilaberte.

Com o revide, teria começado o tiroteio, que deixou mais nove feridos. O  delegado contou que policiais militares revistaram Miguel durante a festa, antes do tiroteio, e na constataram que, naquele momento, ele estava desarmado. Segundo o titular da Delegacia de Paraty, a mulher de Bananinha prestou depoimento e confirmou à polícia que o marido tinha envolvimento com o tráfico.

A Polícia Civil agora busca Denílson (que junto com Miguel, foi indiciado pelo crime de homicídio) e o comparsa de Emerson (indiciado por tentativa de homicídio) que revidou os tiros de Miguel. Durante as buscas da polícia pelos envolvidos no tiroteio, foi preso ainda Paulo Henrique Alcântara, de 39 anos, por porte ilegal de armas, mas sem participação no crime. Segundo o delegado, ele tinha um sítio que abrigava traficantes da região. No local, foram encontrados duas espingardas e mais de 20 armas artesanais.

Segundo a Prefeitura, três feridos seguem internados no Hospital Municipal São Pedro de Alcântara.O estado de saúde deles é estável.

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