Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Governo federal vai enviar 100 homens da Força Nacional ao Rio

Equipe se junta a outros 125 membros da corporação que já estão no Estado; guerra entre facções resultou em tiroteios, destruição de ônibus e bloqueio de vias

Anne Warth, O Estado de S.Paulo

03 Maio 2017 | 12h52

BRASÍLIA - O ministro da Justiça, Osmar Serraglio, anunciou que o governo federal vai enviar 100 integrantes da Força Nacional ao Rio de Janeiro. A equipe vai se juntar a outros 125 membros da corporação que já estão no Estado. O envio da Força Nacional ao Rio atende a um pedido do governador do Estado, Luiz Fernando Pezão (PMDB).

Nos últimos dias, uma guerra de facções criminosas bloqueou avenidas e rodovias e resultou em tiroteios, nove ônibus e dois caminhões incendiados e saqueados. A polícia apreendeu 32 fuzis, seis pistolas e 10 granadas. 

O governo federal também vai enviar agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para reforçar a segurança na Rodovia Presidente Dutra, que liga o Rio a São Paulo, identificada como rota de entrada de armamentos que abastecem facções criminosas.

O secretário nacional de Segurança Pública, general Santos Cruz, vai ao Rio para identificar a quantidade de policiais necessários para a tarefa. 

"Há uma preocupação do governo com os eventos no Rio de Janeiro, que motivou uma participação mais incisiva e direta da Presidência da República, ainda que a segurança sejam uma atividade primordialmente dos Estados", afirmou o ministro. 

O general Santos Cruz chega ao Rio nesta quinta-feira, 4. Ele vai se reunir com as autoridades do Estado para avaliar e detalhar as necessidades que possam ter apoio do governo federal.

O secretário-executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública, José Levi Junior, disse que a União não será omissa nas questões e segurança pública. "Vamos apoiar cada Estado conforme sua necessidade e contexto", afirmou. 

 

 

Sobre o avanço do crime organizado e de suas ações em diversos Estados do País, ele disse que a atuação do governo será integrada. "A União se coloca ao lado dos Estados para ter uma atuação mais ampla e abrangente e fazer frente a um problema que não é local nem regional, mas nacional e até transnacional", afirmou.

Índios. Sobre o ataque aos índios da etnia gamela por pistoleiros no Maranhão, Serraglio disse que a permanência do atual presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Antônio Costa, é uma decisão do presidente Michel Temer (PMDB).

"Não é o ministro da Justiça que vai decidir em relação ao presidente. Claro que vai identificar a proficiência se houver troca de presidente", afirmou.

Serraglio disse ainda que a Funai sofreu um corte de despesas semelhante ao dos demais órgãos do governo. "Nenhum centavo a mais ou a menos foi destinado à Funai", afirmou. 

Segundo o ministro, o governo quer legalizar as terras indígenas e estuda a realização de mutirões para agilizar os processos. "Não temos nenhuma restrição. O governo quer legalizar as demarcações."

O ministro disse ter entrado em contato com a Polícia Federal assim que soube do ataque aos índios. "Pedi investigação e proteção em níveis que legalmente podemos interferir em relação à segurança, que é do Estado."

O ataque, ocorrido no domingo, 30, em Viana, que deixou 13 feridos, alguns deles em estado grave. O presidente da Funai, Antônio Costa, disse nesta terça-feira, 2, que o episódio está entre os casos que não teriam como ser evitados e citou o contingenciamento pelo qual passa o órgão. "Conflitos a gente não tem como evitar", disse. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.