Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Governo prepara pacote social de R$ 157 mi para o Rio de Janeiro

Na 1ª fase, segundo ministro do Desenvolvimento Social, objetivo é melhorar os serviços de comunidades em situação mais crítica

Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

03 Outubro 2017 | 04h30

BRASÍLIA - Após enviar as Forças Armadas para o Rio de Janeiro, o governo federal prepara um pacote na área social para atender o Estado, que vive uma grave crise financeira e de segurança pública. De acordo com o ministro do Desenvolvimento Social, Osmar Terra, a área econômica já garantiu o repasse de R$ 157 milhões neste ano, sendo parte dos recursos da pasta e outra destinada pelo Planejamento para diversos ministérios que integram as ações.

Na primeira fase, de acordo com o ministro, a ideia é melhorar os serviços de comunidades em situação mais crítica. A contabilidade inicial da pasta mapeou ao menos sete regiões na cidade do Rio: Complexos de Lins de Vasconcelos, do Alemão, da Penha, da Maré, Chapadão Pedreira, Cidade de Deus e Vila Kennedy. Além disso, haverá ações nos bairros mais violentos de Duque de Caxias, Nova Iguaçu e Belfort Roxo. "E agora vamos ter que entrar na Rocinha também, não tem jeito", declarou Terra.

+++ Polícia confirma que Rogério 157 mudou de facção e agora é do CV

O ministro nega que a intenção seja buscar uma agenda positiva e diz que, independentemente da tramitação da denúncia, projetos sociais no Estado são fundamentais.

"É uma coisa que não tem escolha. O governo tem que entrar em especial no Rio, porque a autoridade pública está comprometida, está com dificuldades", afirmou ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado. "Não é perda de tempo, é perda de vidas."

Terra afirmou que o pacote será feito por meio de uma medida provisória para oficializar o repasse dos recursos. "Não tem previsão orçamentária neste volume para o Esporte, por exemplo. Vai ter que vir um dinheiro extra", disse.

+++ Batalha judicial põe em risco Projeto Quixote

Ações 

As primeiras medidas já estão sendo organizadas, como a abertura de escolas aos fins de semana para criar um espaço de convivência e aprimoramento aos jovens das comunidades carentes. "A maioria dos lugares não tem praça, não tem nada. Passa a ser um local de encontro: escolas abertas com programação cultural", destacou.

"Vamos começar agora a agilizar alguns pilotos, fazer funcionar e vamos começar pelo Rio, depois podemos expandir para todo o País", afirmou. "Nós vamos ter que disputar os jovens no Rio com o trafico das favelas, os jovens estão confinados nas favelas. O Rio de janeiro está numa situação complicada. Os meninos têm medo de sair da favela e serem mortos pela facção vizinha."

Outra ação programada é a de reforçar o atendimento à saúde, além de recadastrar as famílias das comunidades para acesso a programas sociais. "Muita gente está fora dos nossos programas de transferência de renda, vamos otimizar isso", explicou o ministro.

Segundo ele, o município do Rio já possui profissionais capacitados para prestar o serviço. "A estimativa do atendimento seriam 62 mil famílias nessa questão da assistência social, com investimento de R$ 42 milhões", afirmou Terra.

O ministro disse ainda que um dos objetivos é também dar atendimento ao menor infrator.

"Nossa ideia é transformar o Rio num piloto para acompanhamento das famílias dos meninos infratores. Normalmente, o que acontece com essas crianças é que muitos que cometem delitos têm o pai, o tio, o avô no presídio."

Esporte 

O pacote social prevê parcerias com outras pastas como a do Esporte. Nesta área, há pelo menos duas ações em elaboração. Uma de abrir os quartéis para os jovens e a outra de fazer parceria com clubes de futebol do Rio para que os jovens possam praticar esporte. A meta é atingir neste ano 20 mil jovens e chegar a até 50 mil.

"Vai ser uma ação maior, para atrair os jovens das favelas para programas fora da favela, como Força no Esporte, um programa que traz os jovens pra dentro dos quartéis, para dentro dos centros olímpicos e para os clubes de futebol do Rio para eles praticarem esporte no contraturno da escola", disse.

Há também parcerias sendo desenvolvidas com empresas de tecnologia, como a Microsoft, para curso de capacitação de programação de computador. "Isso vai ser útil em todos os empregos que eles tiverem. Não é curso de cabeleireiro, você tem que estar em sintonia com o mundo moderno", afirmou, em uma crítica ao Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) da gestão petista, que acusa de ter sido mal elaborado. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.