ANDRE DUSEK/ESTADAO
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Governo quer reforço do Coaf no combate ao crime organizado e força-tarefa com MP

O objetivo é rastrear o dinheiro do tráfico de drogas e de armas no País e também "revisitar" a política de segurança pública

Vera Rosa e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

21 Fevereiro 2018 | 03h00

BRASÍLIA - O governo federal decidiu incluir o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) no combate ao crime organizado. O colegiado irá rastrear o dinheiro do tráfico de drogas e de armas que circula não só no Brasil, mas também fora do País. "O grupo que comanda as operações no Rio terá de colocar o Coaf para fazer a descrição da rota do dinheiro", disse ao Estado o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Wellington Moreira Franco.

O Palácio do Planalto avalia que é preciso mobilizar todas as esferas institucionais para enfrentar a batalha contra o crime, além de "revisitar" a política de segurança pública. A atribuição do Coaf já é identificar movimentações financeiras atípicas e informá-las à Polícia Federal e ao Ministério Público, responsáveis por investigar a origem dos recursos.

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Para Moreira Franco, o ideal é que haja uma força-tarefa formada pela Polícia e também pelos ministérios da Justiça, da Defesa e do Gabinete de Segurança Institucional, com participação do Ministério Público Estadual, da Defensoria Pública e do Judiciário.

"O importante é somar forças porque o cidadão precisa ter garantido o seu direito de ir e vir. Não pode ser coagido, não pode ser ameaçado ou tirado de suas casas, de seus templos... Muitas áreas, hoje, estão sob controle do crime organizado. Não dá para ser assim. Está na hora de dizer basta a isso", insistiu o ministro, que ajudou o presidente Michel Temer a tirar o plano do papel.

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O Estado apurou que o governo tem informações sobre todas as facções do crime organizado e o grau de corrupção que atinge a Polícia, mas Moreira Franco não quis dar detalhes sobre o assunto. Em outubro do ano passado, o titular da Justiça, Torquato Jardim, chegou a afirmar que comandantes de batalhão da Polícia Militar eram sócios do crime organizado no Rio.

SHERLOCK.

"O general Braga Netto não entrará lá com espírito de Sherlock Holmes", disse o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, em uma referência ao interventor Walter Souza Braga Netto. "Ele vai para combater o crime organizado, o ilícito. Essas organizações criminosas têm conexões internacionais. Não há espírito de vingança, não há perseguição ou  espetacularização, mas, sim, a defesa de uma prática absolutamente necessária. Os que estão no desvio serão punidos, mas os adversários estão do outro lado da fronteira."

Ao ser lembrado de que, quando era governador do Rio (1987-1991), prometeu, sem sucesso, resolver o problema da segurança no Estado em apenas seis meses, Moreira Franco justificou ter sido movido por um espírito de impetuosidade. "Naquela época eu tinha 40 anos e, certamente, a impetuosidade era maior. Hoje, tenho 73. A violência não acaba nem em seis meses nem em seis décadas", admitiu ele, ao ser questionado como o governo pretende solucionar o problema até dezembro, que é o prazo de validade da intervenção federal.

Sob o argumento de que "não há progresso na desobediência", o ministro rechaçou afirmações da oposição, segundo as quais a decisão de Temer foi "eleitoreira". Por causa da intervenção, alterações na Constituição ficam proibidas e, sob essa justificativa, o governo desistiu da impopular reforma da Previdência.

"Nada foi feito no afogadilho nem foi uma aventura. Não houve razão de natureza eleitoral.  A situação vem se agravando de maneira brutal, e não é só no Rio. Fizemos análise de risco, olhando para o que aconteceu no País. O presidente chamou quem entende do assunto", argumentou ele.

Temer deverá anunciar, nos próximos dias, o novo ministro da Segurança Pública. A intenção do presidente é ir ao Rio toda semana para acompanhar o andamento das medidas anunciadas. Após a polêmica sobre a possibilidade de busca e apreensão coletivas, o governo decidiu que mandados desse tipo, durante as operações das Forças Armadas no Rio, serão analisados caso a caso.

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