Greve pode deixar 250 mil pessoas sem trens no Rio

A empresa confirmou que orienta os maquinistas a prosseguirem viagem mesmo com as portas abertas

Agência Brasil

13 de abril de 2009 | 05h12

As 250 mil pessoas que usam os trens diariamente como meio de transporte na região metropolitana do Rio podem ser prejudicadas nesta segunda-feira, 13, com uma greve no sistema.

 

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Central do Brasil, Valmir Índio Lemos, confirmou no domingo, 12, a paralisação, mas disse que a decisão ainda pode ser revertida, dependendo de uma posição da Supervia, empresa que administra o transporte ferroviário urbano.

 

Índio ressaltou que o motivo da greve é pedir maior segurança para os funcionários e passageiros da Supervia e citou casos recentes de choques de trens e o fato dos vagões circularem com as portas abertas, colocando em risco a vida das pessoas.

 

"A reivindicação é só por segurança no trabalho. Não queremos prejudicar a população. O que estamos lutando é para que as pessoas tenham segurança no nosso transporte ferroviário e não venham a ficar mutiladas ou até falecer, em decorrência de algum acidente", disse o sindicalista, que acusa a empresa de obrigar os maquinistas a partirem mesmo com as portas das composições abertas, forçadas pelos passageiros, que se queixam de falta de ventilação no interior dos vagões.

 

A empresa confirmou, através da assessoria de comunicação, que orienta os maquinistas a prosseguirem viagem mesmo com as portas abertas, a fim de evitar maiores tumultos nas estações, caso os trens precisassem ficar parados por esse motivo.

 

Segundo Índio, outro motivo que acirrou os ânimos dos funcionários foram nove demissões de maquinistas ocorridas na última semana: "Isso acabou estendendo para o resto da categoria a insatisfação com o desrespeito aos trabalhadores".

 

A Supervia foi procurada no domingo, 12 , por meio de assessoria de imprensa, mas limitou-se a dizer que sua posição está expressa em nota divulgada na última quinta-feira, 9, quando classificou o movimento de "extemporâneo" e influenciado por interesses salariais. A empresa também disse que vai colocar em prática um plano para situações emergenciais e que buscaria judicialmente decretar a abusividade da greve.

 

Sobre as demissões dos trabalhadores, a empresa informou que se pronunciaria somente nesta segunda-feira. Os trens da Supervia atendem principalmente passageiros que moram na Baixada Fluminense, região mais pobre do estado, e que usam o transporte ferroviário por ser a opção mais barata.

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