Grupo comemora proibição da Marcha da Maconha no RJ

Manifestantes comemoram a decisão da Justiça de proibir a marcha favorável à legalização da droga

Fabiana Marchezi, estadao.com.br

04 de maio de 2008 | 15h44

 Escoteiros, integralistas, "ex-viciados" e remadores do Vasco da Gama protagonizaram ontem de manhã a marcha contra a maconha, que foi organizada pela vereadora Silvia Pontes (DEM-RJ) e reuniu cerca de 150 pessoas na Praia de Copacabana, na zona sul da capital. O nome oficial era Marcha do Rio em Defesa da Família, e seus participantes vestiam camisetas amarelas, vendidas a R$ 5,00 cada. Declaradamente católica, Silvia disse que nunca usou drogas. Veja também: Marcha da Maconha vira ato pela liberdade de expressão Justiça veta Marcha da Maconha em todo o país "A droga é uma droga, eu nunca fumei. Sou atleta, uma dependente do esporte. Tem uma frase que é um espelho de tudo: dê uma cortada nas drogas e uma sacada na vida. Nosso objetivo é chamar a atenção para o valor verdadeiro da família. Choca ver jovens com carinha de meu filho fumando maconha na praia", declarou a vereadora. Os manifestantes, porém, não tiveram fôlego para seguir até o Posto 6. A marcha, aberta por uma comissão de frente de 30 crianças fazendo sessões de polichinelo, saiu da Rua Santa Clara e foi desmobilizada na metade do percurso previsto, na Rua Xavier da Silveira, antes do posto 5. Um dos manifestantes levava uma faixa com a pergunta "Lula, por que você é amigo das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia)?", recolhida pelos próprios ativistas quando fiscais do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) apareceram. Stênio Neves, de 29 anos, usou o microfone para dizer que "graças a Deus" está "livre das drogas". "Com a maconha eu não pensava direito, estava parado no tempo." Já Róbson Peixoto, de 32, segurava uma bandeira com o símbolo do Movimento Integralista, a versão brasileira do fascismo. "Somos a favor da moral e dos bons costumes. As drogas são má influência, elas destroem a família, que é a base da sociedade", disse. Isaac Pinheiro, de 54, que coordenada um grupo de escoteiros, disse ter recebido um convite da vereadora para o ato. "É uma oportunidade de mostrar que as drogas não servem para nada", disse. Durante o percurso, a marcha teve poucas adesões. Comerciário e ciclista amador, Marcos Luiz Braga, de 39, aproveitou para falar do irmão "viciado". "Começou como uma brincadeira, e a família foi dizimada. Nunca assumi isso em público." O remador do Vasco Fábio Luiz Ferreira, de 26, também disse apoiar a "campanha" porque a droga "atrapalha o desenvolvimento do cidadão". A FAVOR Organizadores da Marcha da Maconha passaram a manhã de ontem tentando conseguir uma liminar para cancelar o veto do Tribunal de Justiça à passeata, marcada para 14h de ontem. Mas não conseguiram. Duas horas antes do início da manifestação, o TJ confirmou o veto. O sociólogo Renato Cinco, um dos líderes do movimento, disse que parte da sociedade não compreendeu a marcha.  "Queremos discutir reformas na lei. Isso é um direito do cidadão", protestou. Para o próximo sábado, dia 10, eles organizam a passeata pelo Dia da Luta pela Liberdade de Expressão. À tarde, apesar do cancelamento da marcha, o advogado Gustavo Alves, de 26 anos, foi preso no Arpoador acusado de apologia à droga. Ele colocou uma placa pendurada no pescoço do seu cachorro com os dizeres: "A estupidez é essência do preconceito. Legalize a Cannabis".

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