Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Grupos fazem atos por mais segurança no Rio

Grupo lançou um abaixo assinado em que cobra mais policiamento e fez um minuto de silêncio em homenagem a ciclista morto

FÁBIO GRELLET, Estadão Conteúdo

23 Maio 2015 | 09h00

Atualizado às 11h30.

Um grupo de aproximadamente 150 pessoas que costumam correr ao redor da Lagoa Rodrigo de Freitas, na zona sul do Rio, promoveu um ato na manhã deste sábado, 23, para cobrar mais segurança na região e homenagear o médico Jaime Gold, que morreu após ser esfaqueado enquanto pedalava na Lagoa na última terça-feira. Os manifestantes são alunos de empresas que orientam as atividades físicas, oferecendo técnicos e mantendo barracas com água e alimentos em trechos da Lagoa, do Aterro e de outros lugares frequentados por atletas.

"Quando me mudei para o Rio, em 2002, me sentia bem mais seguro do que em São Paulo, onde morava até então. Hoje, na maioria dos lugares cariocas, tenho a mesma sensação de insegurança que tinha lá", conta o administrador de empresas Luiz Felipe Bessa, de 55 anos, que levou ao ato um cartaz com a foto do Cristo Redentor envolto em uma faixa preta indicativa de luto. "Há um ano deixei de correr no Aterro, e agora me afastei da Lagoa. Estou correndo na praia do Leblon (zona sul), que até agora não tem sido alvo dos ladrões", diz o morador do Flamengo, também na zona sul. Bessa nunca foi assaltado no Rio. "Já tive o celular furtado, no centro, mas não fiquei com medo. Agora a situação é mais grave", avalia.

O grupo, que também lançou um abaixo assinado pelas redes sociais em que cobra mais policiamento no Rio, fez um minuto de silêncio em homenagem ao ciclista morto e em seguida deu uma volta completa pela Lagoa. Antes, treinadores das equipes discursaram alertando os corredores e ciclistas a não praticar atividades físicas sozinhos, preferir realizá-las durante o dia e não expor objetos de valor durante a prática.

Ciclistas. Cerca de 100 ciclistas se reuniram às 10 horas deste sábado, 23, numa área ao redor da Lagoa Rodrigo de Freitas, em frente ao Corte do Cantagalo, na zona sul do Rio, para um ato cobra a violência na capital fluminense.

Uma missa foi celebrada pelo padre polones Krysztof Sopicki, de 56 anos, que pratica montain bike, e depois o grupo pedalou até o Palácio Guanabara, sede do governo do Estado do Rio, em Laranjeiras, também na zona sul.

Embora o ato tenha sido motivado pelo latrocínio do médico Jaime Gold, ocorrido na Lagoa na última terça-feira, a missa não foi em homenagem a ele porque Gold era judeu. "Seria um desrespeito à sua religião, então rezamos por todos os ciclistas, vítimas ou não de criminosos", afirmou o padre.

Durante o ato, o ciclista Raphael Pazos, de 40 anos, presidente da Comissão de Segurança no Ciclismo da Cidade do Rio de Janeiro, anunciou medidas para tentar reduzir a insegurança dos ciclistas no Rio.

"Roubos de bicicletas são comuns há pelo menos um ano, mas até hoje não há estatísticas. O caso é registrado genericamente, como roubo a transeunte. Na próxima semana deve ser votado em regime de urgência na Assembleia Legislativa do Rio um projeto de lei da deputada Martha Rocha que inclui o item subtração de bicicleta na lista de tipos penais da Secretaria de Segurança. Isso permitirá saber onde os roubos se concentram, para orientar o policiamento", afirma Raphael.

O projeto de lei cria também um cadastro estadual de bicicletas roubadas, que facilitará a identificação, pelos proprietários, das bicicletas recuperadas pela polícia. "Hoje a polícia faz seu trabalho, recupera muitas bicicletas. Mas elas são encontradas em lugares muito diferentes de onde foram roubadas, vão para a delegacia da área e ficam lá enferrujando e ocupando espaço, porque o dono não é informado", argumenta Raphael.

Segundo ele, atualmente são roubadas em média três bicicletas por dia na cidade do Rio, a maioria dentro das ciclovias. "A ciclovia do Maracanã é a faixa de Gaza do ciclismo carioca", classifica.

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