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Celso Junior/Estadão
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Guiné Equatorial dá à Beija-Flor R$ 5 milhões para desfile

Escola vai homenagear país; governo do ditador Nguema Mbasogo procurou a agremiação oferecendo apoio em troca de propaganda

Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

11 de fevereiro de 2015 | 20h54

RIO - Pouco maior do que o Sergipe e com cerca de 700 mil habitantes, a obscura Guiné Equatorial, na África Ocidental, virou notícia neste carnaval pelo patrocínio destinado à escola de samba Beija-Flor de Nilópolis, que vai homenagear o país na Sapucaí. São R$ 5 milhões, confirmados pela direção da escola; R$ 10 milhões, segundo informou o jornal O Globo nesta quarta-feira. 

Maior campeã do carnaval do Rio neste século, com seis títulos em 12 anos, a Beija-Flor é conhecida pelos desfiles luxuosos. Outra marca é o gosto por enredos sobre a África. Foi o governo de Nguema Mbasogo - que assumiu o poder em 1979 depois de depor e mandar executar o tio, então presidente -, que procurou a Beija-Flor, oferecendo o apoio em troca de propaganda.“Eles querem apresentar o país para o mundo, promover o turismo. Muita gente não sabe que a Guiné Equatorial está no mapa”, disse a socióloga Bianca Behrends, responsável pela pesquisa do enredo. 

A escolha do tema vem rendendo críticas à Beija-Flor. Não só pelo fato de a Guiné Equatorial ser aparentemente pouco atraente para um desfile, mas também pelas controvérsias acerca do regime de governo. 

Nguema Mbasogo é o ditador africano mais longevo. A ele são atribuídas inúmeras violações de direitos humanos, como torturas e extermínio de oponentes. Um dos patrocinadores da iniciativa, o filho Teodorin Nguema Obiang Mangue é um conhecido playboy internacional, investigado por lavagem de dinheiro na França. 

Justificativa. Nada disso, porém, será carnavalizado. “Nós estamos falando da África no sentido geral. Não trato de política”, explica o líder da comissão de carnaval, Luiz Fernando do Carmo, o Laíla, impaciente. “No Brasil tem um monte de ladrão e nenhuma escola fala.”

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