Arquivo Pessoal
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Homem é preso por torturar cadeirante com paralisia cerebral

Mãe do garoto entregou à polícia vídeo que mostra a agressão

Carina Bacelar, O Estado de S. Paulo

08 Março 2015 | 12h14

Atualizado às 17h05.

Um homem foi preso em flagrante na tarde deste sábado, 7, por torturar um adolescente deficiente físico, de 13 anos, em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio. Jeferson Basílio, de 27 anos, foi detido por policiais da 73ª Delegacia de Polícia (Neves) após a mãe do garoto, que era sua namorada, levar à polícia um vídeo que mostra imagens da agressão. Elas foram gravadas por um celular escondido na casa da família.

O jovem é portador da Doença de Batten, uma síndrome degenerativa que compromete movimentos musculares. Ele também tem paralisia cerebral. Com escoriações leves pelo corpo, foi levado para o Hospital Estadual Alberto Torres, também em São Gonçalo, e liberado no fim da manhã deste domingo, 8. 



A mãe do garoto e Basílio namoravam havia dois anos. Há três semanas, passaram a morar juntos. "Hoje poderia ser o velório do meu filho", disse a mulher, que pediu para não ser identificada. De acordo com ela, a tortura foi motivada por ciúmes, por causa dos cuidados demandados pelo adolescente. "Ele tinha ciúmes e eu falei por várias vezes: é melhor a gente terminar", afirmou. O relacionamento, conta, acabou no momento do flagrante. "Quero que ele pague pelo que ele fez, foi uma brutalidade".

Uma semana antes do flagrante, ela desconfiou de que o filho tivesse sido agredido depois de ele ter saído de um dos quartos da casa, onde também estava Basílio, com a cabeça sangrando. Quando questionado, o agressor disse que o machucado foi feito por um irmão mais novo do jovem. Sem acreditar na versão do companheiro, a mãe dos meninos decidiu usar o celular para flagrar os maus tratos. A mãe disse que vinha observando que, ao alongar o menino, Basílio fazia movimentos violentos. "Ele começou a tocar muito no meu filho, fazer uns movimentos bruscos. Eu pedi para ele parar".

No vídeo, é possível ver Basílio torcendo com força as pernas e os braços do menino. Em determinado momento, ele ergue o adolescente da cadeira com violência e leva-o para o quarto, onde as agressões continuam. "Ele jogou meu filho que nem um boneco, ele estava urrando de dor", diz a mãe, sobre as agressões sofridas pelo menino no sábado. "Ele estava no limite. Se ele não quebrou nada foi porque Deus não permitiu".

Basílio foi indiciado por crime de tortura, com pena de oito anos de detenção. No entanto, o fato de a vítima ser um menor de idade com deficiência configura um agravante, que pode aumentar a pena de um sexto a um terço. Na tarde desse sábado, Basílio foi transferido para o presídio Bangu 10, na zona oeste do Rio. A Polícia Civil informou que aguarda o resultado do exame de corpo de delito, peça importante nas investigações. Basílio também já havia sido denunciado por lesão corporal. O crime foi registrado na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher de São Gonçalo em 2014.

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