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Homem morto é atropelado por trem após autorização

Funcionário da SuperVia teria permitido o avanço da composição em Madureira; vídeo divulgado por site comunitário mostra ação 

Carina Bacelar e Fábio Grellet, O Estado de S. Paulo

30 de julho de 2015 | 09h02

Atualizado às 22h55

RIO - Mesmo com um homem morto sobre os trilhos da estação férrea de Madureira, na zona norte do Rio, agentes da SuperVia, concessionária que opera os trens na região metropolitana do Rio, autorizaram a passagem de uma composição sobre o corpo, na tarde de terça-feira. A cena foi filmada por passageiros revoltados com a conduta dos funcionários.

Após a divulgação das imagens pelo site Guadalupe News, a SuperVia inicialmente condenou a atitude dos agentes, em nota ontem de manhã. À tarde, a concessionária emitiu novo comunicado, em que tenta justificar a atitude e culpa a falta de isolamento dos trilhos.

O secretário estadual de Transportes, Carlos Roberto Osório, condenou a atitude do pessoal da SuperVia e ordenou que a Agetransp (agência estadual que fiscaliza as concessionárias de transporte) apure o caso e puna a empresa.

Caso. Às 17 horas de terça-feira, o vendedor ambulante Adílio Cabral dos Santos, cuja idade não havia sido confirmada até ontem, pulou o muro da estação Madureira para atravessar os trilhos. Ali passam três linhas de trens, que ligam a estação Central do Brasil (centro) a Paracambi (cidade na Região Metropolitana), Santa Cruz e Deodoro, na zona oeste.

Segundo a Polícia Civil, a hipótese mais provável é que, enquanto atravessava a linha, Santos tenha sido colhido por um trem expresso, que não parou em Madureira. Não há imagens do acidente. O corpo ficou sobre os trilhos. Agentes da SuperVia avistaram o cadáver e acionaram bombeiros e Polícia Civil. A providência usual seria interromper a circulação para que o corpo fosse retirado, mas não foi o que aconteceu.

“As circunstâncias do acidente e o tráfego intenso de trens com milhares de passageiros naquele momento levaram o Centro de Controle Operacional a trabalhar com um procedimento de exceção, sob absoluto controle”, divulgou a SuperVia.

“Foi constatado que o trem que trafegou sobre o corpo tinha altura mais do que suficiente para fazê-lo sem risco de atingir e vilipendiar a vítima. Apenas a partir dessa constatação, confirmada com toda segurança por agente da empresa no local, e diante do risco de se criar um problema maior e mais grave com a retenção de diversos trens, o CCO tomou a decisão (...) de autorizar a passagem do trem”, informou a empresa.

Segundo o documento, na linha interrompida havia três trens lotados - ao todo, 6 mil passageiros. “A paralisação da linha criaria transtornos para toda a movimentação do horário.” O caso será investigado pela 29.ª Delegacia de Polícia.

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