Renata Batista/Estadão
Renata Batista/Estadão

Três pacientes morrem em transferência durante incêndio em hospital no Rio

Vítimas, internadas no Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, não resistiram à remoção

Renata Batista e Roberta Jansen, O Estado de S. Paulo

03 Novembro 2018 | 16h38
Atualizado 05 Novembro 2018 | 17h37

A transferência de pacientes em estado grave durante um incêndio no Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, na zona oeste, na tarde de ontem, provocou a morte de três deles, segundo informou o prefeito Marcelo Crivella, que acompanhou no local o trabalho dos bombeiros. A superlotação da unidade e a falta de estrutura contribuíram para as mortes.

O incêndio começou por volta das 15h30 na Coordenação de Emergência Regional (CER), que fica na entrada do Hospital Lourenço Jorge e onde é feita a triagem dos pacientes antes de serem encaminhados para a unidade hospitalar. Com a superlotação da unidade municipal, no entanto, havia pelo menos 50 pacientes na CER, muitos deles em estado grave. Os pacientes mortos não foram atingidos pelas chamas, mas não resistiram à transferência, feita às pressas, dada a gravidade de seu quadro de saúde.

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“Lamentamos profundamente o ocorrido. Estamos prestando toda a assistência aos pacientes e aos familiares dos que, infelizmente, faleceram após a remoção da unidade”, afirmou o prefeito, que mora perto do hospital e se deslocou para lá assim que o fogo começou. “Eram pessoas de idade, uma delas tinha 83 anos, já sem possiblidade terapêutica, mas não (morreram) por causa do incêndio. Neste momento, a gente tem que ter muita calma para não tentar culpar ninguém. Todo mundo sabe que estamos tendo uma crise enorme nos hospitais federais e nos hospitais estaduais e tudo isso acaba recaindo sobre os hospitais municipais; então a gente tem dificuldades. Mas o importante agora é recuperarmos a nossa CER."

O incêndio aconteceu no segundo andar da CER, onde fica o refeitório e os dormitórios da equipe que trabalha no hospital. Aparentemente, o fogo foi causado por um curto-circuito na parte elétrica. Os pacientes estavam no andar de baixo. Como era horário de visita, o local estava lotado de gente e o início do fogo foi rapidamente notado.

“Estava muito quente. Uma garota disse que estava pegando fogo e saiu empurrando a maca do pai. Foi ela que alertou todo mundo”, contou Maria da Guia Barbosa da Silva, de 31 anos, que visitava o marido, Ivonaldo Pereira, 54 anos, que sofreu um infarto há três dias e estava em uma cadeira na CER por falta de leito.

“A sorte é que estava na hora da visita porque todo mundo ajudou a retirar os pacientes”, disse Dayse Celina, que tinha ido visitar uma amiga que sofre de anemia profunda.

“Minha tia estava lá há quase duas semanas aguardando transferência, tem problemas mentais e está muito debilitada por um quadro de Aids”, contou Samila Lima, de 19 anos,

Crivella informou que ainda está avaliando a situação, mas que está disponibilizando ambulâncias para levar pacientes para outras unidades se for o caso. O prefeito afirmou também que já na segunda-feira vai tentar avaliar como pode ser feita a reconstrução da CER.

Os Bombeiros foram acionados às 15h41 e chegaram muito rápido ao local porque há um quartel nas imediações. Às 19h o fogo já estava totalmente extinto. A Avenida Ayrton Senna chegou a ser interditada por conta do fogo.

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