WILTON JUNIOR / ESTADAO
Pacientes são transferidos após incêndio no Hospital Badim WILTON JUNIOR / ESTADAO

Incêndio atinge Hospital Badim, no Rio, e deixa ao menos 18 mortos

Curto-circuito em gerador pode ter provocado chamas. Em frente ao prédio, colchões foram espalhados para dar assistência aos pacientes, que foram retirados às pressas

Caio Sartori, Fábio Grellet e Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2019 | 19h28
Atualizado 09 de outubro de 2019 | 05h30

RIO - Um incêndio atingiu o Hospital Badim, na Rua São Francisco Xavier, no Maracanã, na zona norte do Rio de Janeiro, na noite desta quinta-feira, 12. O hospital informou que um curto-circuito no gerador do prédio 1 da unidade de saúde provocou o início das chamas, que espalharam fumaça para todos os andares do prédio antigo. O incêndio deixou 18 pessoas mortas.

Segundo o IML, a maioria das vítimas morreu por asfixia e não há corpos carbonizados. A identificação das vítimas foi feita no início da tarde desta sexta. A direção expressou "profundo pesar" e informou que 103 pacientes estavam internados no local no momento das chamas. Imediatamente, declarou a direção, a brigada de incêndio iniciou a evacuação do prédio, mesmo antes da chegada do Corpo de Bombeiros.

"Desde o primeiro momento a prioridade total foi socorrer os pacientes e funcionários e salvar vidas. Mais de 100 médicos foram mobilizados para dar assistência aos pacientes que estavam sendo socorridos", acrescentou a direção. "Face a esse fato trágico, a solidariedade dos hospitais privados e das Secretarias Estadual e Municipal de Saúde está garantindo que os pacientes sejam transferidos."

De acordo com a Defesa Civil do Rio de Janeiro, o incêndio começou pouco antes das 18 horas desta quinta. A missão de resgate às vítimas se prolongou por toda a noite, a madrugada e ainda acontecia as 5 horas da sexta. Até 70 militares chegaram a participar simultaneamente do resgate às vítimas. Ainda de acordo com a Defesa Civil, cerca de 70 pacientes, funcionários e visitantes do hospital foram removidos do local pelo Corpo de Bombeiros. 

Segundo funcionários relataram à polícia, o incêndio teria começado em um prédio antigo onde funcionava o setor de laboratórios. Pacientes que estavam internados em áreas próximas tiveram de ser retirados às pressas. 

O hospital informou que os pacientes do Centro de Terapia Intensiva (CTI) C foram retirados e receberam os primeiros atendimentos na Rua Arthur Menezes. Os bombeiros trabalharam na retirada dos pacientes do CTI 2.

"Toda a direção do Hospital Badim está empenhada em prestar os devidos socorros necessários aos pacientes, que estão sendo transferidos para o Hospital Israelita Albert Sabin e para os hospitais particulares da região. Informamos ainda que a brigada de incêndio do hospital agiu prontamente durante todo o processo."

"Meu irmão de 71 anos estava internado há mais de um mês na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), vítima de pneumonia", contou Maria Augusta Freitas. "Estava em casa e soube do incêndio pela TV, aí vim para cá", narrou. "Mas já faz mais de uma hora que cheguei e ninguém soube me informar nada", disse a mulher, que a cada paciente que passava de maca se exaltava na tentativa de se aproximar e identificar o irmão.

Ana Carolina, de 36 anos, chorava enquanto não conseguia informações sobre a mãe, de 71 anos.  "Não consigo saber se ela está viva, estou desesperada", reclamou. 

O clima de pânico diante da falta de informações era generalizado, enquanto guardas municipais tentavam manter o fluxo de ambulâncias que chegavam e saíam transportando pacientes.

A Rua Arthur Menezes foi interditada aos automóveis, mas permanecia lotada de pessoas, ao som de sirenes e gritaria. Garagens de casas e prédios vizinhos foram usados para receber os pacientes até que fossem levados de ambulância para os hospitais. Por volta das 20 horas, a rua ficou parcialmente sem luz.

Às 22 horas, o Corpo de Bombeiros informou que o fogo já estava extinto e trabalhava na realização de uma varredura e em atividades de rescaldo. A corporação disse que o local possui certificado de aprovação dos bombeiros, mas que "cabe aos responsáveis legais pelas edificações a manutenção dos dispositivos de segurança contra incêndio e pânico aprovados em projeto".

Sobre as causas do incêndio, esclareceu que essa apuração não cabe à corporação e deverá ser conduzida pela Polícia Civil.

Fumaça dificulta rescaldo, diz Corpo de Bombeiros

Pelo menos 12 viaturas foram enviadas ao local com homens de quatro quartéis dos bairros da Tijuca e Vila Isabel, ambos na zona norte; dez ambulâncias dos bombeiros atuaram na remoção das pessoas. O Corpo de Bombeiros destacou que não há focos de incêndio remanescentes, mas que a densa fumaça dificultou o trabalho de rescaldo.

"Novas remoções podem ser feitas ainda de acordo com avaliação médica caso a caso."

Às 22h30, ainda faltava transferir cinco pacientes em estado grave, cujos cuidados para a remoção são maiores. Três pacientes nessa situação, entubados, haviam sido socorridos até então.

O vice-governador do Rio, Cláudio Castro (PSC), não descartou a possibilidade de haver mais mortos.

"Estamos fazendo o trabalho de remoção, mas ainda não temos informações detalhadas", afirmou Castro.

O Hospital Badim, que faz parte do grupo Rede D’Or São Luiz, foi fundado há 19 anos. O complexo tem 15,7 mil m² de área construída, UTI, centro cirúrgico e uma equipe com mais de 60 médicos. Segundo o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde, a unidade tem 183 leitos, 50 deles de UTI. Não foi informado quantos leitos estavam ocupados no momento do incêndio.

No início da madrugada desta sexta, o hospital se posicionou em nova nota sobre o caso. A direção expressou "profundo pesar" e informou que 103 pacientes estavam internados no local no momento do incêndio. Imediatamente, declarou a direção, a brigada de incêndio iniciou a evacuação do prédio, mesmo antes da chegada do Corpo de Bombeiros.

Em junho, hospital de SP pegou fogo após problema em ar-condicionado

Em 28 de junho, a cobertura do prédio do Hospital do Coração (HCor), no Paraíso, zona sul de São Paulo, também teve um incêndio. As chamas foram controladas rapidamente, mas parte dos pacientes teve de ser transferida para outra unidade do HCor e acompanhantes também precisaram deixar o edifício.  Não houve vítimas. 

 As chamas atingiram resfriadores de ar-condicionado na cobertura do edifício. A própria brigada de incêndio do próprio hospital combateu o fogo./ COLABORARAM FABIANA CAMBRICOLI E MARCO ANTÔNIO CARVALHO

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Crivella decreta luto de 3 dias por incêndio no Hospital Badim

Ao menos 10 pessoas morreram na zona norte da capital fluminense; curto-circuito em gerador pode ter provocado as chamas

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2019 | 09h27

RIO - O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB), decretou luto oficial de três dias em função do incêndio no Hospital Badim, no Maracanã, zona norte da cidade, que deixou 10 mortos na noite desta quinta-feira, 12.

Crivella esteve no local no início da manhã desta sexta-feira, 13, e afirmou que dará apoio às vítimas. O prefeito cancelou uma agenda que faria para anunciar a licitação para a nova gestão do Museu do Amanhã.

Segundo o hospital, um curto-circuito no gerador do prédio 1 da unidade de saúde provocou o início das chamas, que espalharam fumaça para todos os andares do prédio antigo. Uma pessoa teve a morte confirmada pelos bombeiros durante a noite e outras 10 pela Defesa Civil durante a madrugada e a manhã.

A direção expressou "profundo pesar" e informou que 103 pacientes estavam internados no local no momento do incêndio. Imediatamente, declarou o hospital, a brigada de incêndio iniciou a evacuação do prédio, mesmo antes da chegada do Corpo de Bombeiros.

"Desde o primeiro momento a prioridade total foi socorrer os pacientes e funcionários e salvar vidas. Mais de 100 médicos foram mobilizados para dar assistência aos pacientes que estavam sendo socorridos", acrescentou a direção. "Face a esse fato trágico, a solidariedade dos hospitais privados e das Secretarias Estadual e Municipal de Saúde está garantindo que os pacientes sejam transferidos."

De acordo com a Defesa Civil do Rio de Janeiro, o incêndio começou pouco antes das 18 horas desta quinta. A missão de resgate às vítimas se prolongou por toda a noite, a madrugada e ainda acontecia às 5 horas desta sexta. 

Segundo funcionários relataram à polícia, o incêndio teria começado em um prédio antigo onde funcionava o setor de laboratórios. Pacientes que estavam internados em áreas próximas tiveram de ser retirados às pressas. 

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Calor e fumaça dificultam início da perícia de incêndio em hospital no Rio, diz delegado

Onze pessoas morreram na tragédia e pacientes tiveram de ser transferidos para outros hospitais

Caio Sartori, O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2019 | 10h46
Atualizado 13 de setembro de 2019 | 17h47

RIO DE JANEIRO -  O incêndio que começou na noite de quinta-feira, 12, no Hospital Badim, unidade no Maracanã, na zona norte do Rio, foi controlado, mas os trabalhos de perícia e investigação ainda não começaram por causa do calor e da fumaça que ainda tomam conta do edifício. A informação é do delegado titular da 18.ª Delegacia de Polícia, Roberto Ramos.

“Há muita fuligem, o local ainda está quente, com muita fumaça. Por isso, estamos aguardando para ter um acesso melhor. Estamos conversando com engenheiros para saber o leiaute de toda a estrutura do hospital para encontrar os possíveis focos do incêndio”, afirmou Ramos, na manhã desta sexta, 13, na porta do hospital.

Onze pessoas morreram no incêndio e dezenas de pacientes tiveram de ser transferidos para outros hospitais. Na quinta, o Corpo de Bombeiros confirmou a morte de uma pessoa e nesta sexta, de outras dez. 

O hospital informou que um curto-circuito no gerador do prédio 1 da unidade de saúde provocou o início das chamas, que espalharam fumaça para todos os andares do prédio. O delegado Ramos evitou antecipar conclusões sobre o foco original do incêndio.

“Estamos verificando essa possibilidade. Sabemos que o fogo chegou ao gerador, mas estamos vendo um foco primário, para saber se realmente foi o gerador ou não”, disse Ramos.

Segundo o delegado, os peritos da Polícia Civil ficarão de plantão para fazer a perícia no local do incêndio. Por causa do calor e da fumaça que ainda estão no edifício, Ramos evitou dar um prazo para conclusão dos trabalhos, que, segundo ele, poderão tomar todo o dia de sexta e entrar pelo fim de semana, se for necessário. Ele disse também que a maior dificuldade em fazer a perícia no gerador que teria motivado o incêndio é o fato de a água usada pelos bombeiros atrapalhar a locomoção no local. No momento, seis peritos de áreas diferentes atuam no hospital. A Polícia Civil vai tentar ouvir ainda hoje depoimentos de pessoas que estiveram na unidade na hora do incêndio, como bombeiros e funcionários.

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Imóvel vizinho a hospital que pegou fogo no Rio é parcialmente interditado

Casa colada ao hospital teve rachaduras e parte do revestimento de uma parede despencou. Defesa Civil diz que família terá de procurar um engenheiro para realizar os reparos

Caio Sartori, O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2019 | 11h33
Atualizado 13 de setembro de 2019 | 19h10

RIO -   Os danos provocados pelo incêndio também se estenderam a casas vizinhas ao Hospital Badim, no Maracanã, zona norte do Rio de Janeiro. Uma vila de seis casas teve quatro delas interditadas, sendo duas totalmente e outras duas de forma parcial. O Estado entrou na casa de número 4, que teve as consequências mais graves.

Cerca de 15 horas depois do incêndio, às 12h desta sexta-feira, a cozinha do imóvel de cerca de 220 metros quadrados ainda estava quente, como se um aquecedor estivesse ligado no ambiente. Nas paredes, que fazem divisa com o hospital, rachaduras cortavam o mármore branco. O mais drástico, contudo, se via na sala, onde parte da parede decorada com pedras despencou. 

Foi por volta das 18h30 desta quinta-feira que uma idosa de 73 anos, mãe da dona da casa, ouviu dois estouros vindos da direção do hospital. O cachorro latia sem parar. Ao perceberem o que estava acontecendo, os moradores de todas as casas da vila começaram a deixar o local. Entre eles estavam crianças e uma senhora de 99 anos. 

A Defesa Civil informou a Renata Zambroni Schmid, de 40 anos, dona da casa 4, que ela teria que procurar um engenheiro para realizar os reparos. Num primeiro momento, isso será feito por conta própria. Só depois poderá buscar o ressarcimento por meios legais.

Ao todo, portanto, o órgão interditou o hospital e as quatro casas da vila. Além desses locais, a Polícia Civil também fará perícia num prédio vizinho, que fica entre as duas unidades do Badim. “Tem risco de queda de revestimento, do emboço, por causa do calor (nos imóveis da vila)”, afirmou o coordenador de operações da Defesa Civil, Sérgio Gomes. 

A síndica do prédio, Lilia Dillon, conta que se preparava para a ginástica, também por volta das 18h30, quando o cheiro da fumaça começou a adentrar o seu imóvel, no primeiro andar do edifício. O porteiro foi acionado e passou a avisar os moradores. Ao saírem dali, se depararam com o corre-corre, “uma coisa muito impactante”, que já havia se instaurado na rua. “Colchões no chão, macas, eles correndo”, relembra Lilia. “É meio de guerra a sensação.” 

 

 

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IML identifica dez vítimas do incêndio no hospital do Rio

Polícia identificou onze vítimas fatais, sete mulheres e três homens. Todos tinham mais de 66 anos

Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2019 | 12h05
Atualizado 13 de setembro de 2019 | 17h50

RIO DE JANEIRO -  O Instituto Médico-Legal (IML) divulgou as identidades de onze vítimas fatais do incêndio que atingiu o Hospital Badim na noite desta quinta-feira, 12. Eram sete mulheres e três homens. Todas as vítimas eram idosas e tinham mais de 66 anos. Segundo o IML, a maioria das vítimas morreu por asfixia e não há corpos carbonizados. Os equipamentos aos quais muitas dessas vítimas estavam ligadas deixaram de funcionar no momento do incêndio. 

As vítimas são:

  • Maria Alice Teixeira da Costa, 75 anos
  • Luzia dos Santos Melo, 88 anos
  • Virgílio Claudino da Silva, 66 anos
  • Ana Almeida do Nascimento, 95 anos 
  • Irene Freitas, 83 anos
  • Berta Gonçalves Berreiros Sousa, 93 anos
  • Marlene Menezes Fraga, 85 anos
  • Alayde Henrique Barbieri, 96 anos
  • Darcy da Rocha Dias, 88 anos
  • José Costa de Andrade, 79 anos
  • Ivone Cardoso, idade ainda não divulgada

O IML colocou uma equipe dedicada ao atendimento do caso do incêndio. Peritos especializados atuaram na identificação das vítimas, para dar mais agilidade ao caso.  Segundo Gisele de Lima Pereira, subsecretária de gestão administrativa da Polícia Civil responsável pela área de perícia, não há informações sobre uma 11º pessoa morta. Ela ressaltou, porém, que há vítimas que foram transferidas para outros hospitais. “Todas as vítimas do Badim já foram. São dez corpos que vieram, já foram identificados, necropciados e entregues às famílias”, afirmou Gisele.

A diretora do IML, Gabriela Graça, confirmou que a maioria morreu por asfixia. E disse que os equipamentos que mantinham pacientes vivos deixaram de funcionar na hora do incêndio. “São descompensações das doenças que as pessoas tinham, relacionadas aos aparelhos que as mantinham vivas e deixaram de funcionar em razão do incêndio", disse.

Filho de Luzia dos Santos Melo, Emanuel Ricardo criticou a forma como o atendimento foi prestado: "Os funcionários estavam totalmente perdidos, batendo cabeça, sem saber o que fazer. A enfermeira que era responsável pelo setor sumiu. (...) Com certeza a morte dela poderia ter sido evitada. Houve negligência do hospital".

O incêndio que atingiu o Hospital Badim deixou ao menos 10 mortos. O hospital informou que um curto-circuito no gerador do prédio 1 da unidade de saúde provocou o início das chamas, que espalharam fumaça para todos os andares do prédio antigo. Segundo funcionários relataram à polícia, o incêndio teria começado em um prédio antigo onde funcionava o setor de laboratórios. Pacientes que estavam internados em áreas próximas tiveram de ser retirados às pressas. 

De acordo com a Defesa Civil do Rio de Janeiro, o incêndio começou pouco antes das 18 horas desta quinta. O fogo foi controlado, mas os trabalhos de perícia e investigação ainda não começaram por causa do calor e da fumaça que ainda tomam conta do edifício. 

Em nota, a Rede D´Or São Luiz afirmou que lamenta profundamente o incêndio ocorrido no Hospital Badim e diz que que colocou à disposição todos os hospitais da Rede para receber pacientes, funcionários e familiares. Foram realizados 79 atendimentos, distribuídos nos seguintes hospitais: 

  • Quinta D’Or: 52 pacientes
  • Caxias D’Or: 15 pacientes
  • Copa D’Or: 6 pacientes
  • Norte D’Or: 5 pacientes 
  • Rios D’Or: 1 paciente

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Incêndios atingem mais de 20 hospitais no Brasil somente em 2019

Episódio no Rio não é caso isolado e aumenta lista de problemas com fogo em unidades de saúde

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

13 de setembro de 2019 | 12h08

SÃO PAULO - O incêndio no Hospital Badim, no Rio de Janeiro, nesta quinta-feira, não foi um episódio isolado no Brasil. O episódio mais recentes causou 10 mortes e entrou para uma lista de acidentes parecidos registrados em outras unidades médicas do País. Apenas neste ano foram mais de 20 acidentes parecidos, com as mais diferentes causas, desde curto-circuito até incêndios criminosos. Confira os episódios:

Hospital Cristo Rei, em Ibiporã (PR)

Incêndio em janeiro, na sala de enfermagem, assustou os três pacientes que estavam no local para ser atendidos. Ninguém ficou ferido, mas o local ficou fechado para reforma durante as semanas seguintes.

Hospital do Coração, em Londrina (PR)

Em janeiro, fogo começou perto do centro cirúrgico da UTI (Unidade de Terapia Intensiva) pediátrica. Os bombeiros agiram rápido e solucionaram o problema, porém pacientes e até bebês recém-nascidos tiveram de esperar do lado de fora enquanto aguardavam transferência para outra unidade da rede.

Hospital Regional de Taguatinga (DF)

Local teve dois incêndios registrados neste ano, um em janeiro e outro em julho. No primeiro, uma pane elétrica na área de trauma fez com que todos os pacientes tivessem de ser retirados. Depois, foi a vez de um incidente na entrada do pronto-socorro assustar a população em julho. As chamas começaram na galeria de ventilação da lavanderia da unidade. Na hora do fogo, 108 pessoas estavam em atendimento e 22 delas tiveram de ser removidas para outra ala.

Hospital Infantil Ismélia da Silveira, de Duque de Caxias (RJ)

Em uma mesma semana de janeiro, foram registrados três incidentes com fogo. O mais grave deles teve início em um colchão queimado. Não houve registro de feridos, mas algumas crianças tiveram de ser transferidas para um prédio anexo.

Hospital e Maternidade Nossa Senhora das Graças, de Presidente Prudente (SP)

Em janeiro, o local registrou um acidente iniciado em um setor administrativo. Os bombeiros logo controlaram o fogo e não foi necessário transferir os pacientes para outra ala.

Hospital Infantil de Vitória (ES)

Foram três episódios neste ano. O primeiro foi em fevereiro, no CTI, o segundo foi registrado em agosto após um curto-circuito na sala de Raio X. Cerca de duas semanas depois, houve outro incidente, desta vez no setor de oncologia. Cinco crianças que eram pacientes tiveram de ser transferidas de ala.

Santa Casa de Misericórdia de Tambaú (SP)

Em fevereiro, homem internado por problema no pulmão e com histórico de dependência química usou um isqueiro para atear fogo ao próprio colchão. As queimaduras causaram a morte do paciente.

Hospital Fêmina em Porto Alegre (RS)

No mês de fevereiro, sala do sexto andar do local foi o início do fogo. Segundo a polícia, o incêndio foi proposital e causado por um enfermeiro, que acabou demitido dias depois. O acidente fez que 32 pacientes fossem transferidos para outras unidades da capital gaúcha.

Hospital Universitário Oswaldo Cruz, no Recife (PE)

Curto-circuito no quadro de energia foi o foco do incêndio de fevereiro. Não houve feridos, mas nove crianças e 35 adultos tiveram de ser retirados do local.

Sanatório Oswaldo Cruz, em Petrópolis (RJ)

Em março, fogo teve início nos setores de rouparia, lavanderia e almoxarifado. A ala dos pacientes não chegou a ser atingida e o incêndio foi rapidamente controlado.

Hospital Municipal Infantil de Imperatriz (MA)

Um curto-circuito em março causou o incêndio na unidade. O fogo causou a remoção de 32 crianças internadas na ala infantil e de 28 adultos internados na ala ortopédica e cardiovascular.

Hospital da Criança de Ponta Grossa (PR)

Um painel elétrico na sala de manutenção de equipamentos hospitalares teve um defeito e pegou fogo em abril. No local, as 26 crianças internadas e outras 15 que aguardavam por atendimento foram resgatadas.

Hospital Espírita de Marília (SP)

Em abril, um paciente que fazia tratamento contra dependência química se revoltou com a internação e ateou fogo em um colchão com um isqueiro. As chamas causaram as mortes de outros dois pacientes.

Hospital Portugal Ramalho, em Maceió (AL)

Um dos alojamentos da ala feminina do Hospital Escola Portugal Ramalho (HEPR) pegou fogo em maio. O local é o único centro psiquiátrico público de Alagoas. Não houve registro de feridos.

Hospital Geral de Fortaleza (CE)

Curto-circuito na UTI Neonatal causou estragos no local em maio. O fogo foi rapidamente controlado, mas durante a ação dos bombeiros, os pacientes tiveram de ser transferidos para outras alas.

Hospital das Clínicas, em Salvador (BA)

Em junho deste ano um incêndio atingiu o laboratório de investigação do vírus HIV. Cerca de dez pacientes tiveram de ser removidos de alas próximas ao fogo. Ninguém se feriu.

Hospital e Maternidade Dom Bosco, em Goiânia (GO)

Incêndio em junho começou na sala de tomografias. Uma solda feita em uma maca teria espalhado faíscas que deram início ao fogo. Apesar de não ter vítimas, o acidente fez com que pacientes fossem retirados às pressas transferidos para outro hospital. Três funcionários foram internados por terem inalado fumaça.

Hospital do Coração, em São Paulo (SP)

No mês de junho, incêndio atingiu parte cobertura do prédio e teve como causa possível falha em sistema de resfriamento de água. Não houve vítimas.

Hospital Universitário, em Aracaju (SE)

O fogo teve início no laboratório do Departamento de Odontologia do Hospital Universitário (HU) da Universidade Federal de Sergipe (UFS), em julho. A causa foi o superaquecimento de um equipamento odontológico e não houve feridos.

Hospital de Igarassu (PE)

Infiltração da água da chuva causou curto-circuito na sala de esterilização, em julho. O incêndio teve início na madrugada e suspendeu o atendimento por alguns dias em áreas como emergência pediátrica, internamento clínico, bloco cirúrgico e fisioterapia.

Santa Casa da Misericórdia de Campos dos Goytacazes (RJ)

Em agosto, o fogo teve início no compressor da lavanderia. Apesar do susto, o incêndio foi controlado rapidamente pelos bombeiros. Ninguém ficou ferido.

Hospital das Clínicas da UFMG, em Belo Horizonte (MG)

Uma fritadeira pegou fogo em agosto e danificou a cozinha do hospital. O incêndio não deixou feridos nem atrapalhou a rotina de atendimento dos pacientes.

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'Houve negligência do hospital', afirma filho de idosa morta na tragédia

Emanuel Ricardo dos Santos Melo estava com Luzia, de 88 anos, no Hospital Badim: 'Não tinha brigada de incêndio nem orientação'

Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2019 | 12h15

RIO - Emanuel Ricardo dos Santos Melo estava com a mãe, Luzia, de 88 anos, no Hospital Badim, no Maracanã, desde a manhã de quarta-feira, 11. Ela havia sido internada por problemas respiratórios, mas se recuperava bem, segundo o filho, e poderia ter alta na semana que vem. Luiza foi uma das vítimas do incêndio no hospital, ocorrido na noite desta quinta-feira, 12. Maranhense, a idosa morava em Cascadura, no subúrbio do Rio, e deixa cinco filhos e netos. Nesta sexta, 6, Polícia Civil informou que calor e fumaça dificultam perícia. A Rede D'Or São Luiz, dona do Hospital Badim, divulgou nota em que lamenta "profundamente o incêndio" e afirma ter colocado todos os hospitais da rede para receber pacientes, familiares e funcionários.

Confira a seguir o depoimento de Melo:

"Estava com a minha mãe como acompanhante (no Hospital Badim) desde quarta-feira às 11h30. Estava direto no CTI, que fica no andar G1. Ela estava no boxe 12. Pela manhã, teve uma primeira falta de energia muito forte e depois de um tempo veio a segunda. Na primeira, o pessoal da manutenção do Badim foi passando nos boxes tranquilizando, dizendo que estava tudo resolvido, que a energia ia voltar, como voltou. Depois de 20 minutos no máximo, faltou (energia) de novo. Houve uma explosão e começou fumaça muito densa, muito cheiro de diesel, muito forte.

Os funcionários estavam totalmente perdidos, batendo cabeça, sem saber o que fazer. A enfermeira que era responsável pelo setor sumiu. Fechei o boxe para que minha mãe não respirasse fumaça. Peguei minha blusa para me proteger. E quando vieram pegar ela, para levar para onde estava o Corpo de Bombeiros, eu tentei deixar ela tranquila. Arrumei a máscara nela. Só falava para ela não tirar, para não falar. Ela só balançava a cabeça.

Quando ela chegou no Corpo de Bombeiros, pensei: pô, finalmente, agora está tranquilo. Mas os bombeiros não permitiram acompanhamento, além de violência física em quem tentava ficar com seu acompanhante. Não permitiram de jeito algum, embora pedíssemos a todo instante. Alegaram que a gente tinha de sair por outro canto. Não tinha ninguém conduzindo. Podíamos ter morrido também.

Não tinha brigada de incêndio nem orientação. Zero. Não houve nada (de orientação), absolutamente nada. Tinha muita fumaça e muito cheio.

Minha mãe estava no hospital desde quarta-feira, com pressão alta e pneumonia, duas coisas tratáveis. Chegou com dificuldade respiratória, mas ontem (quinta-feira) ela já estava melhor, respirando normal, quase em aparelho respiratório. A médica disse que na semana que vem ela poderia ter alta. Estava tranquilo. Até acontecer toda essa situação.

Eu e meu irmão percorremos o Rio de Janeiro atrás da nossa mãe, as informações estavam totalmente desencontradas. O Badin não falava coisa com coisa, a Defesa Civil muito menos. Dizem que tinha muitos médicos, balela. 

Com certeza a morte dela poderia ter sido evitada. Foi um assassinato, houve negligência do hospital. E houve sim truculência do Corpo de Bombeiros. Só faleceram as pessoas que estavam no G1. Morreram idosos."

Procurado, o Corpo de Bombeiros emitiu a seguinte nota:

"O Corpo de Bombeiros Militar do Rio de Janeiro informa que não há registro de qualquer confusão/agressão no local do incêndio. De qualquer maneira, uma apuração interna será instaurada para apurar a denúncia. Importante informar que, em um ambiente de desastre, há a necessidade primordial de isolamento da área para que outras pessoas não se tornem novas vítimas e para que o trabalho de resgate seja realizado dentro de todos os protocolos previamente estabelecidos. O Corpo de Bombeiros se solidariza com familiares e amigos das vítimas. É um momento de profunda tristeza para todos."

O Estado aguarda manifestação da Rede D'Or São Luiz.

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Profissionais e familiares de pacientes do Hospital Badim relataram incêndio nas redes

Imagens da tragédia também despertaram solidariedade e comoção em pessoas que atuam na área da saúde

Gabriela Marçal, O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2019 | 13h13
Atualizado 13 de setembro de 2019 | 16h35

SÃO PAULO - Dez pessoas morreram e dezenas de pacientes tiveram que ser transferidos por causa do incêndio que atingiu o Hospital Badim, no Rio de Janeiro. A tragédia atinge diretamente a vida dos pacientes e profissionais que estavam no local nesta quinta-feira, 12, e impacta ainda a família dessas pessoas. 

Nas redes sociais, médicos e uma enfermeira que se identificaram como funcionários da unidade de saúde relataram como se sentiram e agiram durante a emergência:

Outros internautas que também afirmam fazer parte do quadro do hospital falaram sobre a preocupação com os colegas de trabalho e pacientes:

Uma usuária do Twitter relatou que acompanhava a mãe durante período de internação: 

 

 

O Hospital Badim foi fundado há 19 anos e internautas passaram anteriormente pelo estabelecimento, que faz parte do grupo Rede D’Or São Luiz, como pacientes, visitantes ou funcionários se sentiram tocados pelo desastre.
 

 

 

Pessoas que estavam na região e se tornaram voluntárias para dar assistência a sobreviventes do incêndio também contaram a experiência nas redes sociais.

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Sabe quando você sente orgulho da profissão que escolheu?! Quando você tem certeza de que foi Deus que colocou você no lugar certo e na hora certa?! Então, ontem foi um dia como este. Estava indo correr no Maracanã quando vi uma movimentação, o instinto chamou, foi quando vi o caos. Passei pelo hospital logo quando os primeiros pacientes estavam sendo retirados. Funcionários desesperados, colchões sendo arremessados, pacientes na rua. Pessoas gritando. Chorando. Não poderia ficar inerte! E aí você se pergunta. O que fazer? Como ajudar?! Sou enfermeira e coloquei meus conhecimentos em prática. Mas não importa, somos todos um sistema só, uma engrenagem que roda com um combustível que se chama amor ao próximo. Perante o caos, vi a solidariedade! Todos juntos mobilizados em prol de vidas! Em prol do outro! Acalentado. Orientando. Transportando. Levando água. Abanando. Acalmando. Levando material. Carregando colchão. Não quero felicitações por ter feito minha obrigação como profissional e cidadã. Quero mostrar apenas que juntos somos mais fortes, que não importa quem esteja precisando, temos que dar sempre o nosso melhor. Parabenizo tooodos, todos que estavam ali ajudando de alguma forma, cidadão, equipe do hospital do adm ao médico, bombeiros, PMs, socorristas. Somos todos responsáveis pela vida destas pessoas! Cada um fez diferença para que o número não fosse mais alto! O máximo foi dado para que ninguém ficasse para trás, mas lamento pelos que partiram. Lamento muito. Peço a Deus que acalente o coração dos familiares! Aos meus alunos, quando digo que a verdadeira prova é na vida real, quando a situação está na nossa frente e precisamos agir, é disso que estou falando! Conhecimento nunca é demais quando se pretende fazer a diferença!

Uma publicação compartilhada por Anna Braga (@annacarolbraga) em

 

 

Incêndio no Hospital Badim desperta solidariedade em profissionais da saúde

Fotos e vídeos de médicos e enfermeiros colocando colchões e lençóis na rua para socorrer os pacientes sobreviventes do incêndio no Hospital Badim foram bastante compartilhados no Twitter, Instagram e Facebook durante a repercussão da tragédia. As imagens despertaram solidariedade em profissionais da saúde que comentaram a gravidade de se deparar com uma emergência dessa gravidade durante um dia de trabalho.

 

Curto-circuito no gerador causou incêndio no Hospital Badim

Segundo o hospital, um curto-circuito no gerador do prédio 1 da unidade de saúde provocou o início das chamas, que espalharam fumaça para todos os andares do prédio antigo. Uma pessoa teve a morte confirmada pelos bombeiros durante a noite e outras 10 pela Defesa Civil durante a madrugada e a manhã.

A direção expressou "profundo pesar" e informou que 103 pacientes estavam internados no local no momento do incêndio. Imediatamente, declarou o hospital, a brigada de incêndio iniciou a evacuação do prédio, mesmo antes da chegada do Corpo de Bombeiros.

"Desde o primeiro momento a prioridade total foi socorrer os pacientes e funcionários e salvar vidas. Mais de 100 médicos foram mobilizados para dar assistência aos pacientes que estavam sendo socorridos", acrescentou a direção. "Face a esse fato trágico, a solidariedade dos hospitais privados e das Secretarias Estadual e Municipal de Saúde está garantindo que os pacientes sejam transferidos."

De acordo com a Defesa Civil do Rio de Janeiro, o incêndio começou pouco antes das 18 horas desta quinta. A missão de resgate às vítimas se prolongou por toda a noite, a madrugada e ainda acontecia às 5 horas desta sexta. 

Segundo funcionários relataram à polícia, o incêndio teria começado em um prédio antigo onde funcionava o setor de laboratórios. Pacientes que estavam internados em áreas próximas tiveram de ser retirados às pressas. 

 

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