Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Incêndio atingiu 9% do Parque Nacional da Serra dos Órgãos

Temporal interrompeu nesta segunda-feira a queimada; segundo o ICMBio, incêndio foi o maior desde a criação da unidade, em 1939

Felipe Werneck, O Estado de S. Paulo

20 Outubro 2014 | 19h44

RIO - Um temporal interrompeu nesta segunda-feira, 20, o incêndio que já havia atingido 9,2% do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, na região serrana do Rio. Foi a maior queimada registrada desde a criação da unidade, em 1939, segundo o coordenador de Emergências Ambientais do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Christian Berlinck.

"Com a forte chuva, acreditamos que o fogo foi extinto e estamos preparando a desmobilização, mas vamos continuar monitorando até o fim do dia para medir a área e confirmar aquilo que observamos de pontos estratégicos", disse Berlinck. Ele foi acionado de Brasília para auxiliar a equipe local após o alerta máximo ter sido emitido.

Segundo o analista ambiental, há relatos de um grande incêndio ocorrido quarenta anos atrás na Serra dos Órgãos, com a morte de brigadistas, mas não existem registros nem imagens de satélite que permitam comparação com a situação atual. Desde o dia 12, quando o incêndio iniciado cinco dias antes em uma comunidade de Petrópolis atingiu o parque, foram queimados 1.840 hectares da unidade de conservação. Outros 1.600 hectares de mata foram devastados em vários pontos do município.

O trabalho de combate ao fogo dentro do parque envolveu 130 pessoas, entre brigadistas e equipes de comando. Berlinck disse que o incêndio não atingiu o Vale da Morte, área de floresta habitada por muriquis, espécie ameaçada de extinção. "A brigada conseguiu controlar por terra, chegando ao Morro da Luva e ao Campo das Antas", disse o analista, que foi chefe do Parque Nacional da Chapada Diamantina, na Bahia, de 2008 a 2010, quando assumiu a coordenação de Emergências Ambientais. Até o fim da tarde continuava chovendo na região.

Segundo Berlinck, todos os incêndios começaram fora do parque. As causas ainda estão sendo investigadas. "Há indícios de crime, temos denúncias feitas por telefone, mas também há relatos de acidentes causados por rituais religiosos, brincadeiras de crianças, queima de lixo e balões", disse o funcionário do ICMBio. Neste domingo, um balão de 12 metros de comprimento caiu perto do limite do parque, em uma área já queimada.

A Serra dos Órgãos é um dos melhores locais do país para a prática de esportes de montanha, como escalada e rapel. O parque tem várias cachoeiras e a maior rede de trilhas, com mais de 130 quilômetros. O pico do Dedo de Deus é considerado o marco inicial da escalada no Brasil, e a Agulha do Diabo foi escolhida como uma das 15 melhores escaladas em rocha do mundo. O parque abriga mais de 2.800 espécies de plantas catalogadas, 462 espécies de aves, 105 de mamíferos, 103 de anfíbios e 83 de répteis, incluindo 130 animais ameaçados de extinção. A unidade possui 20.024 hectares e abrange quatro municípios: Teresópolis, Petrópolis, Magé e Guapimirim.

No Parque Nacional do Itatiaia, na Serra da Mantiqueira, que também estava em alerta máximo por causa da seca, a chuva afastou nesta segunda-feira o risco de novos incêndios. Mas unidades estaduais vizinhas foram afetadas, como a Serra do Papagaio, em Minas, e a Pedra Selada, no Rio. Há cerca de um mês, 250 hectares do Itatiaia tinham sido devastados pelo fogo. O município de São Fidélis, no norte fluminense, enfrenta uma série de queimadas provocadas pela estiagem prolongada, com grande impacto na pecuária. Centenas de cabeças de gado já morreram no município. Na cidade vizinha de Cantagalo, o incêndio florestal aproximava-se de áreas urbanas.

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