José Lucena/Futura Press
José Lucena/Futura Press

Incêndio de grandes proporções atinge shopping center no Rio

Por causa do carnaval, somente alguns restaurantes funcionavam quando o fogo começou, por volta do meio-dia; não houve vítimas

Carina Bacelar, O Estado de S. Paulo

16 de fevereiro de 2015 | 13h45

Atualizado às 16h

RIO - Um incêndio de grandes proporções atingiu o Shopping Nova América, em Del Castilho, na zona norte do Rio de Janeiro, na tarde desta segunda-feira, 16. Não houve vítimas. De acordo com a assessoria de imprensa do shopping, o fogo começou por volta de meio-dia em uma das lojas e, segundo informou o Corpo de Bombeiros por volta das 15h40, foi controlado.

Por volta das 15h50, as equipes trabalhavam para extinguir focos isolados no prédio. Pelo menos cem homens de dez quartéis (Méier, Ramos, Central, Vila Isabel, Caxias, Jacarepaguá, CSM, Irajá, Nova Iguaçu e GBS) e trinta viaturas atuam no local.

Somente alguns restaurantes da praça de alimentação estavam funcionando às 11h desta segunda-feira, por causa do carnaval. Com o início do incêndio, foram fechados. 

Por volta de 13h50, era possível ver parte de uma das paredes da construção desabando. O fogo tomava todo o telhado do shopping, que funciona no prédio de uma antiga fábrica têxtil e foi inaugurado em 1995. O empreendimento tinha mais de 300 lojas, de acordo com seu site oficial.

Segundo informações da assessoria de imprensa, o local estaria "vazio" por causa do regime de funcionamento do carnaval. Para as 16h, estava prevista a realização do Baile de Marchinhas.


Já segundo informações do MetrôRio, a Estação Del Castilho, que fica ao lado do shopping, está aberta. Três faixas da Avenida Pastor Martin Luther King, na altura do shopping, foram interditadas. De acordo com o Centro de Operações Rio (COR), homens da Companhia de Engenharia de Tráfego do Rio de Janeiro (CET-Rio) prestam apoio aos motoristas no local.

Uma moradora da região afirmou ter visto o momento em que o incêndio começou a se alastrar. "A fumaça está muito alta aqui", contou. "Eu não imaginava que o shopping pudesse pegar fogo assim tão rápido, do nada. As chamas estavam só em um ponto e, logo depois, foram se alastrando. Tinha gente na Rua do Rio (uma das praças de alimentação do shopping) e saíram todos correndo", relatou ela, que costumava frequentar o Nova América.

De acordo com Luiz Antônio Cosenza, engenheiro elétrico e diretor do Sindicato dos Engenheiros do Estado do Rio, é preciso analisar o funcionamento dos sprinklers (mecanismos de combate a incêndio fixados na parede) e dos procedimentos da brigada de incêndio do shopping.

"Eu estranhei na hora que eu vi (o incêndio), porque normalmente o shopping tem brigada de incêndio 24 horas. Ao menor indício de ocorrência, eles são os primeiros a chegar, antes dos bombeiros", afirmou Cosenza. "É preciso checar o funcionamento da brigada de incêndio e sprinklers. Qualquer prédio de uso público tem que ter uma brigada de incêndio."

O especialista afirma que toda a estrutura do prédio, por causa da proporção das chamas, já está comprometida. "O shopping tem que ser revisto em toda a sua parte estrutural", declarou Cosenza. "Na hora em que você tem um incêndio dessa proporção, mesmo a parte que não foi atingida está prejudicada pelas altas temperaturas."

Segundo Cosenza, a estratégia do corpo de bombeiros vem sendo cercar o prédio e isolá-lo. Com isso, ele acredita que as chamas não vão comprometer a estrutura de construções vizinhas. "O Corpo de Bombeiros cercou de tal forma que ele isolou aquela área. Eu acho que o local está bem isolado, não vai comprometer nada no entorno", analisou o especialista.

Para o engenheiro elétrico, um curto circuito ou um vazamento de gás em uma das lojas pode ter causado o princípio de incêndio. 

História. Até 1991, o imóvel atingido pelo incêndio desta segunda-feira abrigou uma das mais importantes indústrias do setor têxtil do Rio. Era a Companhia Nacional de Tecidos Nova América, nascida em 1925 e instalada em uma construção de grandes fachadas de alvenaria, em estilo manchesteriano.

A empresa entrou em crise durante a ditadura militar (1964-1985). Para tentar evitar a falência, seus operários se mobilizaram e  conseguiram em 1984 uma audiência improvisada com o então presidente João Figueiredo. O general estava em um evento na sede do Fluminense, em Laranjeiras. e recebeu uma representação dos trabalhadores.

Quase falida, a empresa acabou incorporada pelo estatal Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), mas não por muito tempo. Depois, foi reprivatizada e passou a ser parte da Multifabril Industrial Têxtil S.A. Em 1991, sua produção foi desativada e transferida para outra fábrica, a Unidade Fonte Limpa, em Santa Cruz da Serra, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

As instalações da velha Nova América ficaram fechadas até 1995, quando, depois de reformadas por dentro, passaram a abrigar o shopping center. Centenas de operários perderam seus empregos, em uma região que viveu intenso processo de desindustrialização, em parte pelo avanço da criminalidade./COLABOROU WILSON TOSTA 


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