Incêndio destrói camelódromo no centro do Rio

Ao menos 100 boxes foram destruídos; fogo começou às 8 horas e só foi controlado às 10h30

Alexandre Rodrigues, do Estadão,

18 de novembro de 2007 | 12h12

Um incêndio destruiu neste domingo, 18, pelo menos 100 boxes do camelódromo da Rua Uruguaiana, região central do Rio. O fogo começou por volta das 8 horas e só foi controlado por volta das 10h30. O combate às chamas mobilizou dezenas de bombeiros do Quartel Central da corporação, no centro, e outras duas unidades. A fumaça preta foi vista em várias partes da cidade. Ninguém ficou ferido, mas o ambiente entre os comerciantes que observavam de longe o trabalho de rescaldo era de desolação. A maior parte dos que perderam mercadorias tinha acabado de estocar artigos para o Natal.   O incêndio atingiu a área central do Mercado Popular da Uruguaiana, próximo à região de comércio popular da Sociedade de Amigos e Adjacências da Rua da Alfândega (Saara). Segundo os bombeiros, o fogo começou em um dos boxes da quadra C, entre a Rua Senhor dos Passos e a Uruguaiana, que tem 485 unidades, e espalhou-se rapidamente. Avisados por colegas, dezenas de comerciantes foram ao local para tentar salvar mercadorias. Eles suspeitam que o fogo tenha sido iniciado com o curto-circuito provocado por dois ventiladores que foram esquecidos ligados num dos boxes. Impedida pelo isolamento da área, muita gente observava de longe o trabalho dos bombeiros. Muitos choravam.   "Todo mundo começou a me ligar, e corri para cá. Minha loja está ali no meio, não sobrou nada. Perdi pelo menos R$ 5 mil, mas tem gente aqui que perdeu até R$ 100 mil. Amigos meus fizeram empréstimo no banco para comprar mercadorias de Natal e agora ficaram sem nada", disse Josias da Silva, de 36 anos, dono de um estande de roupas. Leonardo Procaci, de 28 anos, dono de um quiosque de alimentação, ficou aliviado ao ver que sua loja fora poupada. "Fiquei com medo de perder equipamentos como freezers e mesas, mas vou ficar aqui para ajudar os amigos. É muito triste. Estamos todos no mesmo barco", solidarizou-se.   Apenas cinco boxes separavam o fogo do estande de CDs evangélicos de Pablo Rodrigues, de 27 anos. Ele chegou ao local no início do incêndio e viu o fogo se aproximar de seu estabelecimento. "Queimou mais barracas porque faltou água e só havia aqui dois carros dos bombeiros para apagar todas aquelas chamas. Só depois de uma hora chegaram outros. Eles não conseguiam abrir o hidrante mais próximo, que estava encoberto pela calçada. Foi um incêndio muito grande, e eles não tinham condições de apagar", contou.   O tenente-coronel Cesar Melhem, que comandou o combate às chamas, admitiu que os bombeiros tiveram que quebrar parte da calçada em torno do hidrante, para ter acesso ao registro do dispositivo, mas negou que tenha faltado água. "Às vezes passam uma massa, algo indevido, no local, bloqueiam o hidrante, e a gente tem que quebrar. É isso que as pessoas acham que é um problema, mas não houve falta de água", afirmou. Os bombeiros usaram também a reserva de água do metrô para abastecer as mangueiras. Os brigadistas da estação Uruguaiana, que não foi atingida mas teve de ser fechada, ajudaram no combate às chamas.   Melhem disse que os bombeiros tiveram dificuldades para penetrar nos corredores estreitos do camelódromo. Segundo ele, o incêndio se intensificou rapidamente por causa da grande quantidade de produtos inflamáveis, como CDs e artigos de plástico. Apesar de admitir que os fios aparentes e as ligações elétricas irregulares representam risco de incêndio, o oficial disse que só o laudo da perícia poderá identificar a causa do fogo.   "Não é um local de grande risco. Tem um risco devido ao material que eles estocam, mas existem situações piores do que isso aqui", afirmou o oficial. Peritos estiveram ontem no local e o resultado só será conhecido em vinte dias.   O camelódromo tem ao todo 1.600 boxes divididos em quatro quadras. Foi o terceiro incêndio no local nos últimos seis anos. Segundo comerciantes, a associação dos lojistas estava planejando um reordenamento do sistema elétrico do mercado. O Batalhão de Choque da Polícia Militar apoiou o trabalho dos bombeiros para evitar saques depois de um princípio de tumulto. Comerciantes esperavam a liberação da área para verificar os prejuízos e prometiam passar a noite no local para coibir ação dos ladrões.   Guadalupe   A PM também foi acionada na madrugada deste domingo para evitar o saque ao supermercado Multimarket, em Guadalupe, na zona norte do Rio, que também pegou fogo. O incêndio não deixou feridos e foi logo controlado por bombeiros de três quartéis da região, mas houve confusão quando moradores de uma favela próxima tentaram invadir o estabelecimento. A PM ocupou a área e não houve prisões.   Matéria ampliada às 17h19

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