Incêndio no Museu Nacional completa um ano e instituição se prepara para abrir parcialmente em 2022

Museu foi consumido pelas chamas em setembro de 2018; reconstrução já começou e previsão é de que o local deve estar completamente pronto em 2025

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Por Roberta Jansen
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Algumas coleções foram completamente perdidas, como a que reunia 12 milhões de insetos. Os preciosos sarcófagos e múmias da coleção egípcia também foram destruídos pelas chamas, bem como uma parte significativa do material etnográfico de indígenas brasileiros Foto: WILTON JUNIOR / ESTADÃO

Consumido por um incêndio há um ano, o Museu Nacional passa por um processo de restauração e deve ter algumas salas reabertas ao público em 2022 com uma exposição sobre o bicentenário da independência. E deve estar complementamente pronto em 2025. A previsão é do diretor da instituição, Alexander Kellner.  Ainda este ano, deve começar a restauração da fachada e do telhado. Em setembro do ano que vem, a expectativa é que comece a recuperação do interior do palácio. O museu tem cerca de R$ 70 milhões já disponíveis para as obras.

Em 2 de setembro de 2018, um domingo, um curto-circuito num aparelho de ar condicionado no térreo do Palácio São Cristóvão, na Quinta da Boa Vista, deflagrou um incêndio que consumiu durante seis horas boa parte do acervo do Museu Nacional. Instituição museológica e de pesquisa mais antiga do País, o Museu Nacional tinha acabado de completar 200 anos - o aniversário foi em junho de 2018

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As chamas consumiram total ou parcialmente pelo menos 80% do acervo, um dos mais importantes da América Latina nas áreas de ciências naturais e antropológicas. Algumas coleções foram completamente perdidas, como a que reunia 12 milhões de insetos. Os preciosos sarcófagos e múmias da coleção egípcia também foram destruídos pelas chamas, bem como uma parte significativa do material etnográfico de indígenas brasileiros. O icônico trono do rei africano de Daomé, um presente recebido por D. João VI em 1811, não sobreviveu. O fogo destruiu também partes históricas do próprio palácio, como a sala do trono, que tinha o teto adornado com deusas da mitologia grega.

“A perda foi muito alta, maior do que esperávamos”, avalia o diretor do Museu Nacional, Alexander Kellner, ao fazer um balanço do prejuízo um ano depois da tragédia. “Está todo mundo muito chateado, perdemos muita coisa.”

Mas, em meio à devastação, houve também boas notícias. A peça mais preciosa do museu, o crânio de Luzia - o fóssil humano mais antigo das Américas, com 12 mil anos -, foi salva, com algumas escoriações passíveis de recuperação. Ossos das múmias egípcias foram recuperados, bem como amuletos feitos em metal que estavam nos sarcófagos. Cerâmicas indígenas foram resgatadas e também fósseis de animais pré-históricos e algumas peças de Pompeia e Herculano.

Os meteoritos, que cruzaram a atmosfera para entrar na Terra, também sobreviveram intactos às chamas e ao calor. Entre eles, o Bendegó, um dos maiores já encontrados no país, que faz parte do acervo do museu desde 1888, por iniciativa de dom Pedro II.

Algumas coleções, aproximadamente 19%, que não ficavam no Palácio São Cristóvão foram inteiramente preservadas. É o caso da botânica, de peixes, de mamíferos, de répteis, de anfíbios e da de plantas. Além da biblioteca de obras raras, que também não foi atingida.

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No dia 2 de setembro de 2018, um domingo, um curto circuito num aparelho de ar condicionado no térreo do Palácio São Cristóvão, na Quinta da Boa Vista, deflagrou um incêndio que consumiu durante seis horas boa parte do acervo do Museu Nacional Foto: WILTON JUNIOR / ESTADÃO

Os trabalhos de garimpo nos escombros do incêndio seguem em ritmo acelerado: 50 salas já foram completamente limpas; restando agora apenas 15 a serem garimpadas até o fim deste ano. O telhado provisório já foi instalado, para proteger o prédio das intempéries.

Recursos para recuperação

Os R$ 16 milhões liberados em caráter de emergência pelo governo federal após o incêndio já foram aplicados: aproximadamente R$ 1 milhão foram para a fachada; R$ 10 milhões seguiram para o reforço da estrutura interna do prédio e da cobertura; os demais R$ 5 milhões estão destinados à Unesco, para a elaboração do projeto executivo do restauro.

A doação mais substanciosa recebida pelo museu veio da Alemanha: um total de 230 mil euros (cerca de R$ 1 milhão). Outros R$ 350 mil vieram por meio de doações para o SOS Amigos do Museu. As doações foram todas aplicadas no garimpo e resgate das peças dos escombros, segundo Kellner.

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Além disso, a Câmara dos Deputados aprovou uma emenda parlamentar apresentada pelos representantes do Rio, destinando R$ 55 milhões para a reconstrução do museu. Desse total, R$ 43 milhões já foram liberados e aguardam licitações por parte da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que é responsável pela administração do museu.

O governo federal liberou também um terreno anexo ao museu – uma antiga reivindicação. No terreno de 44 mil metros quadrados, será construído um prédio anexo para abrigar laboratórios e atividades educacionais, além da parte administrativa do museu. “O Museu Nacional é muito mais do que a área de exposição”, afirmou a reitora da UFRJ, Denise Pires.

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