MARCOS ARCOVERDE/ESTADÃO
MARCOS ARCOVERDE/ESTADÃO

Incêndio no Museu Nacional revolta alunos da UFRJ

Estudantes marcaram protesto para segunda; eles lamentam falta de investimentos e lembram acidente semelhante

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

02 Setembro 2018 | 22h57

RIO - O incêndio no Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), revoltou estudantes e motivou a convocação de um ato para a tarde desta segunda-feira, 3. A manifestação, marcada para as 16 horas, na Cinelândia, no centro do Rio, pela União Estadual dos Estudantes, vai lembrar a pouca verba destinada pelo governo federal às universidades e o acidente semelhante ocorrido em outro prédio da instituição, o de sua reitoria, na Ilha do Fundão, em 2016. Por causa do acidente, alunos dos cursos de arquitetura e urbanismo e belas artes tiveram de ter salas remanejadas.

“Mais um episódio lamentável para a educação brasileira. O dano sofrido pelo museu, além de ser uma perda para pesquisa e ciência do Brasil e do mundo, é uma perda para a educação pública, uma vez que seu setor de ensino foi o primeiro de todos do País”, afirma publicação no Facebook com a convocação.

O Centro Acadêmico de Administração se disse tomado por "pura tristeza, revolta e desamparo" em nota divulgada também no Facebook. "São 200 anos de Museu e milhares de anos de HISTÓRIA sendo APAGADOS. O crânio de Luzia, o fóssil mais antigo do ser humano da América Latina, por exemplo, se encontrava no Museu Nacional." 

Neste domingo, a reitoria da UFRJ divulgou uma nota vaga sobre o acidente, em que diz que “acompanha o trabalho dos bombeiros, neste momento, no Museu Nacional. Segundo as primeiras informações, o incêndio teve início por volta das 19h30. Não há registro de vítimas. Servidores do Museu Nacional também estão no local para dar o suporte necessário ao trabalho dos bombeiros.” O reitor, Roberto Leher, ainda deverá dar entrevista.

Dirigentes de outros museus lamentaram o incêndio. O do Museu Imperial, o historiador Mauricio Vicente Ferreira Junior, defendeu mais planejamento para afastar a possibilidade de ocorrências dessa gravidez. “É imprescindível que os projetos elaborados pelas equipes técnicas saiam do papel. Que sejam executados na urgência da defesa dos interesses da sociedade postos à nossa responsabilidade. Ou continuaremos chorando a perda do nosso patrimônio, da nossa História, da nossa memória”.

Rosa Maria Araujo, também historiadora e presidente da Fundação Museu da Imagem e do Som, se disse perplexa com as imagens do museu em chamas. “O Museu Nacional é o maior patrimônio de nossa história política, por vir do Império. Foi escolhido para residência da família imperial na magnífica Quinta da Boa Vista. Soma-se a isso sua importância científica. Lá se desenvolve o programa de antropologia de ponta nas ciências sociais brasileiras. É uma tragédia. Não sei como vamos resistir a essa perda irreparável. Estou perplexa e muito triste”.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.