Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

Incêndio no Parque Serra dos Órgãos já destrói 600 hectares

Até o início da tarde desta sexta-feira, não havia previsão do nº de animais mortos, da perda de biodiversidade e da extinção dos focos

Thaise Constancio, Enviada especial de O Estado de S. Paulo

17 Outubro 2014 | 14h35

TERESÓPOLIS - O incêndio que atinge o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, na região serrana fluminense, já consumiu mais de 600 hectares, de acordo com a administração do parque, que tem 20 mil hectares de extensão. Até o momento, não é possível calcular quantos animais morreram ou ficaram feridos e a perda de biodiversidade de Mata Atlântica. Também não há previsão para extinção completa dos focos de incêndio.

Apenas dois animais foram resgatados - um filhote de paca, que morreu, e um ouriço que teve o pelo chamuscado, a cauda e as quatro patas queimadas. Os biólogos do parque acreditam que os bichos ainda consigam se esconder na mata, mas que em breve devem se aproximar das casas.

De acordo com o chefe do parque, Leandro Goulart, 42 brigadistas do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBIO) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) estavam acampados nos arredores da Cachoeira da Macumba, onde o foco de incêndio foi extinto na noite desta quinta-feira, 16.

Desde as 4h30 desta sexta-feira, 17, um grupo de 25 brigadistas abre uma trilha para chegar ao Pico do Mamute, um local de difícil acesso, onde está o principal foco da queimada. O percurso deve levar cerca de dez horas.

O helicóptero que ajudava a equipe a chegar no locais de difícil acesso foi danificado na quinta-feira e não há previsão de substituição.

O fogo se aproxima da Trilha da Travessia, de 30 quilômetros de extensão, que atravessa o parque e liga Teresópolis a Petrópolis. Por segurança, todas as trilhas foram fechadas, incluindo a Caminhos da Serra do Mar, a primeira de longo percurso do País, com 68 quilômetros.

Outra dificuldade enfrentada pelos brigadistas é um fenômeno natural conhecido como "fogo de tufa", característico desta região de Mata Atlântica. As chamas correm por baixo do chão, queimando as raízes das árvores. A olho nu, apenas a fumaça aparece.

"Ainda é muito perigoso. Há risco de alguém pisar em falso e abrir uma vala que colocaria o fogo novamente em contato com as folhas secas", disse a bióloga do parque, Fabiane Pereira.

Equipes do Corpo de Bombeiros trabalham em outras áreas nos arredores do parque, principalmente na cidade vizinha de Petrópolis, onde as chamas chegam perto das casas.

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