Inquérito que embasou prisões expõe suposta organização de manifestantes

Informações foram coletadas por meio de depoimentos prestados por 38 pessoas e escutas telefônicas autorizadas pela Justiça

Fábio Grellet, O Estado de S. Paulo

21 de julho de 2014 | 20h24

RIO - Instaurado em 2013 e entregue ao Ministério Público do Rio na última sexta-feira, 18, o inquérito da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) do Rio reuniu informações que embasaram a decretação da prisão preventiva de Camila Jourdan e outros 22 ativistas, acusados de formação de quadrilha. A prisão foi pedida na sexta-feira pelo promotor Luís Otávio Lopes e ordenada horas depois pelo juiz Flávio Itabaiana, da 27ª Vara Criminal.

Por meio de depoimentos prestados por 38 pessoas e escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, a polícia concluiu que o grupo se organiza em subgrupos e mantém uma hierarquia: um deles cuida do planejamento de ataques, outro é responsável por produzir e distribuir bombas, coquetéis molotov e outras armas, outro arregimenta pessoas dispostas a executar atos de vandalismo. A líder geral, segundo a investigação, é Elisa Quadros Sanzi, a Sininho, que comandaria 19 pessoas responsáveis pelos grupos.

O terceiro escalão é responsável pela execução dos atos e também por arregimentar novos integrantes para a organização.

O grupo é considerado pela polícia responsável pela depredação de bens particulares, como agências bancárias, lojas e veículos, e do patrimônio público, como pontos de ônibus, placas de trânsito, orelhões e lixeiras, além do arremesso de pedras e artefatos incendiários contra policiais e outros agentes de segurança, causando lesões corporais. A polícia afirma que o grupo aguardava artefatos explosivos, principalmente bombas de fabricação artesanal.

Condutas criminosas. Além de expor a suposta hierarquia da organização, o inquérito policial elenca condutas criminosas praticadas individualmente. Sininho, por exemplo, segundo a Polícia Civil incitou manifestantes a incendiar o prédio da Câmara Municipal do Rio durante protesto em 2013 e a queimar um ônibus em outro ato realizado no ano passado.

Eloísa Samy teria ordenado o início de atos de violência, instruído participantes e prestado apoio logístico aos demais líderes do grupo. Em conversa telefônica gravada, David Paixão, que durante a investigação tinha menos de 18 anos, comemora o lançamento de um coquetel molotov contra um PM. “Viu, acertei o cara do Choque. Saiu até na televisão”, disse a um interlocutor, segundo a polícia. Como era menor, Paixão não foi denunciado pelo Ministério Público.

Mais conteúdo sobre:
Manifestantes

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.