Interdição na Avenida Rio Branco começa no próximo sábado

Três das cinco faixas da avenida serão fechadas para obras do sistema de bondes, o VLT, que será inaugurado em 2016

Felipe Werneck, O Estado de S. Paulo

24 de novembro de 2014 | 03h00

RIO - Após demolir o Elevado da Perimetral, viaduto de 5 quilômetros que ligava o Aterro do Flamengo à Avenida Brasil, e fechar acessos ao centro pela Praça 15 e pela região portuária para a reforma urbanística da área, a prefeitura carioca programa para sábado, 29, a interdição definitiva de três das cinco faixas da Avenida Rio Branco.

As obras na principal via do centro começaram em outubro, no trecho mais próximo da Praça Mauá, para a instalação do sistema de bondes que deverá começar a operar em 2016, o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).

Hoje, apenas ônibus podem circular pela Rio Branco, que recebia 40 mil carros diariamente - outros 150 mil trafegavam pela Perimetral e pela Avenida Rodrigues Alves, na zona portuária, na direção da Avenida Brasil e da Ponte Rio-Niterói, diz o engenheiro Fernando Macdowell.

“Em 2015 teremos algo próximo do caos no centro”, afirma o doutor em Engenharia de Transportes Alexandre Rojas, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). No caso da Rio Branco, não se trata apenas de instalar os trilhos, é preciso mudar toda a rede subterrânea, porque o bonde não pode passar sobre redes como a de gás, diz Rojas.

Segundo a prefeitura, o VLT estará funcionando no primeiro semestre de 2016, quando ocorrerá a Olimpíada. Estão previstos 28 quilômetros de trilhos e 42 paradas, da Rodoviária Novo Rio ao Aeroporto Santos Dumont, passando pela estação das barcas Rio-Niterói e pelo terminal Central do Brasil.

Mesmo antes da interdição parcial da Rio Branco, o trânsito já está caótico. Ônibus superlotados formam um paredão ao longo da avenida. Saturado, o metrô não atende a demanda adicional. Na semana passada houve mudança em itinerários e pontos de ônibus por causa das obras, o que causou mais confusão. Nas três horas de pico pela manhã, chegam à área central pelo menos 335 mil pessoas só de transporte público.

“A impressão é que tudo está sendo feito de forma empírica. Não foram apresentados estudos fundamentados. É uma incógnita o que vai acontecer. Vejo com muita preocupação”, diz Paulo Cezar Ribeiro, professor do programa de Engenharia de Transportes da Coppe. “Que linhas terão o privilégio de passar pela Rio Branco? Como será a integração no futuro?”

Prefeitura. O secretário municipal de Transportes, Alexandre Sansão, não concedeu entrevista. Das sete questões encaminhadas à assessoria da pasta, apenas uma foi respondida. A secretaria estima que, com a inauguração do VLT, haverá redução de 50% dos ônibus que circulam pelo centro.

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