Felipe Frazão/Estadão
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Interventor diz que vazamento de operação preocupa e quer mudar perfil de ações

General de Exército Walter Souza Braga Netto acompanha entrega de medalhas no Comando-Geral dos Fuzileiros Navais no Rio

Felipe Frazão, enviado especial

02 Março 2018 | 13h19
Atualizado 03 Março 2018 | 09h07

RIO - O general de Exército Walter Souza Braga Netto, interventor federal na Segurança do Rio, afirmou nesta sexta-feira, 2, estar preocupado com o vazamento de operações em favelas e zonas de conflito no Estado. Ele também anunciou que deseja mudar o perfil das incursões e envolver mais órgãos do governo estadual para que não sejam ações apenas de polícia.

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"A gente sempre tem preocupação (com vazamento de operações)", disse o general, que participou como comandante militar do Leste de uma cerimônia de entrega de medalhas do mérito desportivo militar no Comando-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais.

Cerca de 1000 militares dão apoio com desobstrução de vias e cerco às comunidades. Há ainda 100 policiais civis e 70 agentes da Polícia Rodoviária Federal na área. 

O ministro interino da Defesa, general da reserva do Exército Joaquim Silva e Luna, que também estava no Rio nesta manhã, foi mais contido e disse que o vazamento de operações policiais, sob o comando militar, “pode ser uma exceção” e disse que esse é um momento de cuidado. 

“Preocupação não tem. Tem cuidados. Nossa gente é preparada, recomendada, sempre a cada operação eles recebem as ações com que tem que se preocupar, as suas atividades. Então, durante a operação, não. O risco seria depois, quando se tornam vulneráveis”, disse Silva e Luna, depois de entregar medalhas do mérito desportivo militar no Comando-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais, no Rio.

“A preocupação das três Forças não é exatamente durante as suas operações. Nós sabemos que as Forças Armadas colocam a cada final do ano reservistas que prestam serviço militar da ordem de 85 mil, no Exército da ordem de 75 mil... Esse pessoal passa pelas forças, são treinados, são adestrados, são preparados e, quando saem das Forças às vezes voltam ao desemprego. Pode ocorrer o caso de eles se tornam vulneráveis nesse momento. Aí sim. Nesse momento ele poderia ser cooptado. Não é durante sua operação em serviço. O caso de vazamento ou outra situação pode ser uma exceção, mas não há preocupação durante as operações.”

No ano passado, um soldado de 19 anos foi preso suspeito de antecipar uma ação de GLO para um chefe do tráfico no Salgueiro, em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio. Nesta sexta-feira, as forças de segurança fizeram nova incursão na região e no Jardim Catarina, e, novamente, policiais ouvidos pelo Estado disseram desconfiar de que a quadrilha que controla a venda de drogas tenha sido alertada. Moradores da Vila Kennedy, na zona oeste da capital fluminense, também relataram uma fuga prévia de criminosos antes da chegada dos militares e policiais, na semana passada.

Pontuais. Braga Netto afirmou que, por enquanto as Forças Armadas vão continuar fazendo intervenções pontuais, mas antecipou que, até o fim de março, haverá uma mudança no estilo das ações. O interventor não detalhou, mas disse que deseja envolver órgãos sociais do Rio nas operações em favelas. O anúncio dos detalhes será feito pelo general de Divisão Richard Fernandez Nunes, secretário de Segurança do Estado. 

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"Eu estive em reunião com o governador (Luiz Fernando Pezão) e todo o secretariado, de modo que quando tivermos uma operação, todos os órgãos do Estado também entrem e a operação não fique só policial. Até o fim do mês estamos tentando organizar uma operação nesse estilo", disse Braga Netto. "Vocês já vão começar a sentir mudanças com o início das operações do general Richard (secretário de segurança). Ele vai anunciar mudanças. Eu não posso adiantar a data porque ele é que vai definir."

Braga Netto voltou a dizer que ainda não tem um orçamento fechado para o Gabinete de Intervenção Federal. "Para pedir recursos para segurança, eu tenho que mapear. É o que o gabinete de intervenção vai fazer, no mais curto prazo. Eu estou montando o gabinete, gente. Os recursos que nós temos são os recursos federais que serão disponibilizados. Não confundam os recursos de GLO com os recursos que deverão vir para cá (gabinete de intervenção)."

Esta foi a terceira vez que o general falou a jornalistas desde que foi convocado às pressas e nomeado pelo presidente Michel Temer, no dia 16 de fevereiro, como interventor na segurança do Rio. O general é reservado e dera apenas duas breves entrevistas coletivas antes, em ambientes controlados. Hoje, Braga Netto foi abordado estar cercado por assessores militares. "Eu não estou fugindo da imprensa. É porque eu não estou tendo tempo", disse.

Socorro. O ministro da Defesa também afirmou que o presidente não tinha como fazer diferente ao intervir na segurança do Rio e que a população pedia socorro. “Há um clamor e eu entendo que o presidente da Republica não poderia tomar outra decisão. O Rio de Janeiro está pedindo socorro. Não tem como não fazer isso aqui, não vejo outra posição diferente”, disse Silva e Luna. “A expectativa realmente, com a coordenação dos meios e a centralização das ações, sendo um prazo mais curto, uma melhora na segurança pública do Rio de Janeiro.”

O ministro disse que a Defesa conta com orçamento de R$ 113 milhões para investir em GLO e que esses recursos são distintos dos que foram prometidos pela Presidência da República para o Gabinete de Intervenção Federal. Com a intervenção, as Forças Armadas também vão intensificar patrulhamento nas fronteiras, com a chamada Operação Ágata, de acordo com o titular da pasta.

“Já existem recursos definidos para essa operação (GLO). O que pode acontecer é eles serem insuficientes, aí seriam acrescidos. Especificamente no Rio e outras áreas está na ordem de R$ 113 milhões. Está sendo suficiente para as operações definidas. A maioria dos empregados já está no Rio”, afirmou.

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