Wilton júnior/Estadão
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'Intolerância religiosa', diz Crivella sobre crítica no desfile da Mangueira

Escola de samba se manifestou contra o corte de verbas às escolas e retratou o prefeito do Rio como boneco da Malhação de Judas

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

13 Fevereiro 2018 | 01h59

RIO - A gestão do prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB), divulgou nota nesta segunda-feira, 12, que diz que ele foi vítima de "intolerância religiosa" na Sapucaí. Foi uma resposta à crítica da Mangueira à prefeitura em seu desfile, domingo. Crivella foi representado como um boneco de Judas, traidor do carnaval, enforcado. A escola fez uma defesa da folia, contra o corte de verbas às escolas e outras manifestações culturais populares. Crivella virou Judas porque teve apoio dos dirigentes em sua campanha eleitoral e depois reduziu os recursos. 

O samba da Verde e Rosa fazia menção à religião dele - o prefeito é bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, que condena a festa: "Pecado é não brincar o carnaval".

A íntegra da nota, da Riotur, é:

"É lamentável que uma escola, que sempre defendeu a tolerância e o respeito, venha utilizar o momento sagrado do seu desfile para praticar um ato de intolerância religiosa como o que vimos neste domingo.

A agremiação está no seu direito de não gostar da decisão do Prefeito de destinar parte dos recursos para as creches conveniadas, mas daí a atacar a fé do Prefeito e colocar sua imagem pendurada pelo pescoço com uma corda é algo que deve ser repudiado. 

A Riotur informa que neste ano foram aportados 19,5 milhões de reais às escolas de samba. Isso significa que a redução da arrecadação por parte das escolas foi de 20% em relação ao ano anterior, que foi de 24 milhões de reais. Vale ressaltar que a tão falada redução aconteceu dentro de um cenário de crise excessiva, de retração econômica e um déficit de quatro bilhões de reais nos cofres da prefeitura."

Crivella saiu do Rio no carnaval. Ele foi para a Europa numa viagem de trabalho voltada à área de segurança  (que é atribuição estadual; e não municipal). Na sexta-feira, participou da abertura oficial do carnaval. Na ocasião,  disse que se trata "apenas de uma festa", e que o Rio tem outras prioridades, mas discursou elogiando os artistas do carnaval. 

Antes de embarcar, compartilhou nas redes sociais: "O alarde foi grande, previsões pessimistas traçaram um cenário de terra arrasada, mas o tempo veio mostrar que as medidas adotadas eram acertadas, e os resultados agora aparecem. O carnaval receberá este ano investimentos de quase R$ 80 milhões. Apenas os recursos levantados junto à iniciativa privada somam R$ 38,5 milhões, o maior valor já captado e mais do que o dobro obtido em 2017, quando se arrecadou R$ 15 milhões".

Afirmou ainda que "cumpriu sua parte, com a organização e o cuidado necessário a um evento que expressa a alegria e a criatividade do carioca". "As acusações de que patrulhamento religioso ameaçariam o carnaval mostraram-se infundadas e revelaram o preconceito de quem acusava", continuou. 

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