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Invasão da Coroa foi liderada por chefe do CV, diz Beltrame

Segundo o secretário de Segurança do Estado do Rio, o traficante Ricardo Chaves de Castro Lima, o Fú da Mineira, comandou a ação

Carina Bacelar, O Estado de S. Paulo

12 Maio 2015 | 15h38

Atualizada às 19h08

RIO - A invasão de criminosos no morro da Coroa, em Santa Teresa, na última sexta-feira, foi comandada pelo traficante Ricardo Chaves de Castro Lima, o Fú da Mineira, um dos chefes da facção Comando Vermelho (CV). A informação foi dada pelo secretário de Segurança do Estado do Rio, José Mariano Beltrame, nesta terça-feira, 12. 

Fú da Mineira está foragido do sistema penitenciário desde 2013, quando recebeu o benefício de progressão de regime para o semiaberto e deixou o presídio em Porto Velho, onde cumpria pena de 89 anos e 10 meses de detenção, para visitar a família, no Rio. 

Beltrame disse nesta terça que agiria como Fú da Mineira caso "tivesse 90 anos de condenação".

"Eu também não voltaria (para a cadeia)", afirmou Beltrame, criticando a aplicação da progressão de regime. Seis homens morreram e cinco pessoas ficaram feridas na invasão e nos dois dias seguintes. 


Preso em 1993 por homicídio qualificado, associação para o tráfico de drogas e homicídio qualificado, Fú da Mineira é acusado, com mais dez criminosos, de ter ordenado ataques a delegacias e ônibus no Rio em 2009. Antes de policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) entrarem no Morro de São Carlos, em 2011, ele era apontado como chefe do tráfico no Morro da Mineira, vizinho ao São Carlos.

Segundo informações atualizadas em novembro de 2014 no portal do Disque-Denúncia, ele estaria se refugiando desde a fuga no Complexo do Chapadão, em Costa Barros, na zona norte do Rio. 

Beltrame disse que, "por enquanto, não tem nenhuma informação" sobre a suspeita de que policiais militares das UPPs da Coroa, Fallet e Fogueteiro (favelas próximas) facilitaram ou foram coniventes com a invasão de traficantes.

"A polícia naquela noite não entrou dentro da Coroa evidentemente para não trocar tiro à noite porque não sabia efetivamente onde essas pessoas estavam e a gente tem que trabalhar sempre dentro de uma política de redução de dano", disse ele.

Um policial militar do Batalhão de Operações Especiais (Bope) foi ferido nesta terça na perna durante troca de tiros com traficantes no São Carlos. Ele passa bem, segundo a PM. A ocupação das comunidades pacificadas da região de Santa Teresa e Rio Comprido vem sendo realizada pelo Comando de Operações Especiais (COE), enquanto PMs de UPPs patrulham os acessos às favelas. A ação não tem data para terminar, afirmou o secretário. 

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