José Lucena/Futura Press
José Lucena/Futura Press

‘Isso é um absurdo, estamos numa escola’, diz docente que vivenciou tiroteio

Professora gravou alunos sentados no corredor entre as salas se protegendo dos disparos em um colégio na Rocinha

Fábio Grellet e Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

27 Março 2018 | 01h32

RIO - “Isso é um absurdo, estamos numa escola”, diz a professora ao gravar, com seu celular, alunos sentados no corredor entre as salas, para se protegerem dos disparos em um colégio na Rocinha. A gravação, feita na manhã dessa segunda-feira, 27, repercutiu na internet.

A escola foi uma das poucas que abriram na comunidade. Nas imagens, a professora está agachada com crianças. Ao fundo, é possível ouvir o barulho de explosões. “Mais uma vez a gente está aqui com as crianças no corredor, sem aula, tentando sobreviver a essa guerra, refletindo sobre a eficácia disso, sobre os discursos da intervenção federal.”

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Mais tarde, ao Estado, ela pediu que sua identidade não fosse revelada, por segurança. “Desde o ano passado, quando teve a invasão, a guerra entre as facções (pelo comando do tráfico), não temos paz, nenhum morador, nenhum servidor, professor, profissional de saúde. Antes, era uma paz relativa.” 

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A guerra à qual ela se refere foi o racha, em setembro, na quadrilha que dominava a favela - os bandos rivais têm como chefes Antonio Bonfim Lopes, o Nem, e Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157. Os militares e a polícia intervieram, e o embate arrefeceu, mas moradores ainda reclamam de insegurança. 

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