Reprodução
Reprodução

Italiano é detido no Galeão por xingar família judia e fazer saudação nazista

Fabrizio Trinchero disse que o maior erro de Hitler e Mussolini foi não ter exterminado todos os judeus; vítimas acionaram a PF

Anita Efraim, Especial para O Estado

19 Outubro 2016 | 18h34

Uma família judia aguardava na fila de embarque do Aeroporto do Galeão, no Rio, quando foi verbalmente agredida por um italiano, nesta quarta-feira, 19. Fabrizio Trinchero, ao ver o judeu de quipá, gritou ofensas antissemitas: disse que não gostava de judeus e que o maior erro de Hitler e Mussolini foi não terem exterminado todos eles. Por fim, o italiano ergueu a mão para fazer a saudação nazista.

De acordo com Ricardo Brajterman, advogado da Federação Israelita do Rio de Janeiro (Fierj), a família acionou o órgão judaico e a Polícia Federal. Eles, o agressor e testemunhas foram ao setor da PF no aeroporto para prestar depoimentos. 

A mãe da família judia, que estava prestes a embarcar, falou rápido com a polícia para não perder o voo. Trinchero, por outro lado, não conseguiu pegar o avião e teve de pagar fiança para ser solto. O processo deve correr contra ele na Polícia Federal e é possível que ele perca o visto para ficar no Brasil. Ao ser informado sobre isso pelo delegado Marcelo Nogueira, o italiano caiu no choro. 

Leonardo Rabinovitsch, de 20 anos, acompanhava a mãe no embarque e descreveu a situação como constrangedora. "Não foi a primeira vez que vi alguém fazer o sinal de Hitler, mas foi a primeira vez que vi alguém fazer apologia real ao nazismo na minha frente", afirmou, em referência ao italiano ter dito que os judeus deveriam ter sido exterminados. "Foi um espanto". 

No momento de darem depoimento, a família e a testemunha, que também era judia, ficaram separados do agressor. Rabinovitsch elogiou a ação da Polícia Federal, mas afirmou que a companhia aérea pela qual a mãe viajaria, Alitalia, tentou abafar o caso. Os responsáveis pelo embarque quiseram justificar o ocorrido dizendo que Trinchero era louco. 

Na opinião de Brajterman, "o preconceito é fruto da falta de uma boa educação". Além disso, ele observa que, com as redes sociais, as expressões de antissemitismo cresceram. "Conseguimos perceber um aumento significativo das manifestações antissemitas, que até existiam no passado, mas por conta da ferramenta, o ódio contra qualquer raça, gênero e cor tem mais eco", opina. 

No Facebook de Trinchero, o post mais recente é um vídeo do exército israelense agredindo uma senhora palestina. Nos comentários, pessoas indignadas com o caso repreenderam o italiano e o chamaram de antissemita.

A Polícia Federal foi procurada pela reportagem, mas já havia encerrado o expediente. A defesa de Trinchero não foi localizada. A Alitalia foi procurada pelo Estado, mas também não foi encontrada. 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.