Jobim descarta saída imediata do Exército de morro no Rio

Ministro diz que levará Lula na próxima 2ª ao local onde militares são acusados de participar de morte de jovens

Tânia Monteiro, de O Estado de S. Paulo,

18 de junho de 2008 | 13h18

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, que esteve na última terça-feira, 17, no Rio de Janeiro, disse que conversou nesta quarta com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a participação de militares na morte de três jovens, no Rio, e descartou a saída imediata do Exército do Morro da Providência. Jobim disse que o governo ainda vai definir a forma como o Exército vai continuar no Morro da Providência.  Nelson Jobim disse que voltará ao Rio na segunda-feira, com Lula e até lá os dois vão discutir a melhor forma de atuação do Exército no local. "A possibilidade de o Exército sair (do morro) não existe", disse o ministro.   Veja também: Jobim pede calma ao Exército para superar crise no Rio Forças Armadas não estão aptas a combater a violência, diz Lula Lula se diz indignado com mortes no Morro da Mineira Exército pede desculpas a mães de jovens mortos no Rio Delegado do Rio pode pedir quebra de sigilo de militares O Exército está preparado para atuar na segurança  pública?    Mais cedo, Lula voltou a fazer críticas sobre a atuação dos militares no Morro da Providência, mas admitiu que não pretente retirar as tropas do local. "O Estado tem que fazer reparação às famílias e dar continuidade às obras, porque as obras são para melhorar as condições de vida das pessoas", afirmou, referindo-se ao projeto Cimento Social, do senador Marcelo Crivella (PRB) e candidato à Prefeitura do Rio, em parceria com o Ministério das Cidades e o Exército. Os três jovens foram abordados por militares no Morro da Providência, no fim de semana, e seus corpos foram encontrados no aterro sanitário de Gramacho, em Duque de Caxias.   Onze militares estão detidos por ligação com as mortes e parte deles admitiu à polícia ter levado os jovens às mãos de traficantes do Morro da Mineira, de uma facção rival à que controla o Morro da Providência. Segundo um oficial, houve desacato à autoridade por parte dos jovens, que foram deixados na outra favela para um "corretivo". "Não é possível que três jovens inocentes sejam mortos dessa forma", disse Lula, após cerimônia de comemoração do centenário da imigração japonesa no Brasil.   O presidente disse que as obras no Morro da Providência vão continuar, porque elas darão condições de melhoria à população. Segundo o presidente, se necessário, o Exército sairá do Morro da Providência. "Mas isso vamos discutir com calma, para não tomar nenhuma atitude precipitada. Não é por causa de um erro gravíssimo, abominável que a gente tem de tomar medidas precipitadas", afirmou.   Lula afirmou ainda que a retirada dos militares da Providência, como vem sendo reivindicada pelo moradores, seria avaliada. "Não é por causa de um erro gravíssimo que a gente vai ter que tomar medidas precipitadas", afirmou o presidente, acrescentando que vai conversar com os ministros da Defesa, Nelson Jobim, que esteve no Rio, e com o das Cidades, Marcio Fortes. O presidente disse que também vai procurar falar com o governador Sérgio Cabral (PMDB), que estava na Alemanha.   (Colaborou Reuters)

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