Tânia Rêgo/ABr
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Juíza decreta prisão de 7 por morte de turista italiano no Rio

Primos desciam de visita ao Cristo e seguiam para Copacabana, onde estavam hospedados, quando entraram por engano no Morro dos Prazeres

Clarissa Thomé, O Estado de S. Paulo

09 Dezembro 2016 | 12h33

RIO - A polícia identificou oito adultos e um adolescente que participaram do assassinato de um turista italiano e do sequestro do primo dele, na manhã de quinta-feira, 8, no Rio. Sete deles tiveram a prisão temporária decretada pela Justiça, incluindo o chefe do bando, Claudio Augusto dos Santos, de 46 anos, o Jiló. Ele havia sido libertado da prisão um mês antes do crime.

Rino Polato, de 59 anos, que foi mantido sob a mira de armas por duas horas, enquanto os traficantes decidiam seu destino, foi ameaçado, ao ser liberado, para que não contasse o que aconteceu. Ainda assim, reconheceu os criminosos por fotografias e apontou a participação de cada um deles nos crimes. 

“Ele (o sobrevivente) foi muito consistente no que falou. Estava muito abalado, chorava muito, mas mostrou muita segurança. Reconheceu os criminosos e detalhou como cada um atuou. Estava indignado por ter visto seu primo ser assassinado”, afirmou o delegado Fabio Cardoso, da Divisão de Homicídios.

Polato contou que seu primo, Roberto Bardella, de 52 anos, liderava a expedição de motocicleta dos dois pela América do Sul. Ele seguia na frente, com uma câmera acoplada ao capacete, e guiando-se pelo GPS da moto. Eles desciam de uma visita ao Cristo Redentor e seguiam para Copacabana, onde estavam hospedados, quando entraram por engano em um dos acessos ao Morro dos Prazeres. 

Um grupo de quatro traficantes armados com pistolas e fuzis gritou para que parassem. Houve um momento de hesitação dos turistas, que pararam em seguida. Nesse momento, Rômulo Pontes Pinho, de 22 anos, atirou na direção de Bordella. Um tiro atingiu a cabeça e o outro o tórax, junto ao ombro, contou Cardoso. Polato retirou o capacete. “É possível que eles tenham confundido o macacão de motociclista e acreditado se tratar de policial.”

Em seguida, Polato foi colocado no carro e o corpo do primo, no porta-malas. Eles rodaram pela favela. Os bandidos localizaram Jiló. O traficante foi até o veículo e liberou Polato, sob ameaças. “A ordem do tráfico era atirar para matar em qualquer suspeito que entrasse naquela rua. Mesmo Jiló não estando ali, tinha pleno domínio do que se passava”, disse Cardoso.

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