Governo do Rio de Janeiro/Divulgação
Governo do Rio de Janeiro/Divulgação

Juíza é agredida por PMs presos durante fiscalização em unidade

Por decisão da juíza, visitas íntimas e de familiares aos presos haviam sido suspensas após constatação de irregularidades no local

Fábio Grellet, O Estado de S. Paulo

01 Outubro 2015 | 18h27

Atualizado às 20h57

RIO - A juíza Daniela Barbosa Assumpção de Souza, da Vara de Execuções Penais (VEP), foi agredida por policiais militares presos no Batalhão Especial Prisional, em Benfica, na zona norte do Rio, na tarde desta quinta-feira, 1º. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) informou que ela fazia uma fiscalização na unidade prisional, dois meses após suspender temporariamente as visitas íntimas e de familiares aos presos, por causa de irregularidades constatadas.

Após o episódio, o juiz Eduardo Oberg, também da VEP, determinou o fechamento do Batalhão e a transferência dos 221 policiais presos para o Complexo Penitenciário de Gericinó, na zona oeste, no prazo de 72 horas. “O que ocorreu demonstra que o BEP não tem condições de garantir a segurança de funcionários e juízes.”

“Esse é um dos motivos pelo quais a gente há tempos pede a retirada do Batalhão Prisional dali e a elaboração de uma galeria específica para policiais dentro do Complexo de Gericinó”, afirmou o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame.

De acordo com o TJ-RJ, os detentos agrediram a magistrada e impediram que ela fizesse a revista em uma das galerias. Daniela teve a blusa rasgada e foi obrigada a deixar o local. Policiais militares da equipe de segurança do Judiciário, que acompanhavam a juíza, foram agredidos a pauladas.

A juíza decidiu manter a fiscalização e voltou ao presídio acompanhada por PMs do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e pelo juiz Oberg. Eles tentaram identificar os agressores, mas até as 19 horas não havia confirmação de que alguém houvesse sido reconhecido.

Em nota, a assessoria do Tribunal de Justiça do Rio classificou o caso como “inadmissível” e informou que vai “tomar todas as providências cabíveis”. “A VEP tem realizado um trabalho exemplar na fiscalização de desvios cometidos por detentos do Batalhão Prisional, apurando supostas mordomias de alguns presos no local. Em agosto, foram encontrados geladeiras, televisões, micro-ondas, videogames, forno de pizza, celular, dinheiro, engradados de refrigerante, churrasqueira e até uma bateria profissional.” 

Mais conteúdo sobre:
Rio agressão Polícia Militar

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.