Reprodução redes sociais
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Justiça aceita denúncia de fraude processual contra PMs investigados na morte de Kathlen Romeu

Quatro policiais teriam alterado cena do homicídio, plantando provas falsas para simular confronto que não houve; oficial vai responder por se omitir diante da ação dos demais

Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

24 de dezembro de 2021 | 21h20

A Auditoria da Justiça Militar do Rio aceitou denúncia do Ministério Público e tornou réus cinco policiais militares que participaram de ação no Complexo do Lins, na zona norte carioca, na qual a designer de interiores Kathlen Romeu, de 24 anos, foi baleada e morreu. Os agentes são acusados de falso testemunho e fraude processual, segundo informação do site G1. Dois PMs confessaram ter disparado no dia em que a jovem foi morta. A polícia do Rio também concluiu que o tiro que matou a jovem partiu de um dos policiais militares. O homicídio, porém, é objeto de outra investigação.

Os réus no caso são Cláudio da Silva Scanfela, Marcos da Silva Salviano, Rafael Chaves de Oliveira e Rodrigo Correia de Frias. Eles são acusados de "plantar" falsas provas no local do crime para simular um confronto com criminosos que não aconteceu. Além deles, o capitão Jeanderson Corrêa Sodré virou réu por fraude processual na forma omissiva, por permitir que os quatro tentassem alterar a cena do homicídio. 

Os cinco PMs foram suspensos do exercício da função durante o processo penal; estão impedidos de manter contato com testemunhas e de frequentar unidades da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro; e terão que comparecer mensalmente em juízo. No dia 11 de abril de 2022, 11 testemunhas do caso serão ouvidas a pedido do Ministério Público.

Kathlen foi assassinada em 8 de junho deste ano. Ela estava grávida de quatorze semanas quando foi atingida por um tiro de fuzil no tórax. A denúncia do Ministério Público foi aceita pela Justiça Militar no dia 17 deste mês.

PMs colocaram cartuchos e fuzil no local do crime

Os PMs Chaves, Frias, Scanfela e Salviano foram denunciados por retirarem material do local do crime e acrescentarem 12 cartuchos calibre 9 milímetros e um fuzil 556 com 10 munições intactas, o que levaria à conclusão de que houve troca de tiros entre a polícia e criminosos no momento em que Kathlen foi assassinada. A família da jovem e testemunhas negam, no entanto, que tenha havido troca de tiros quando a designer foi baleada.

Nesta sexta-feira, 24, véspera de Natal, amigos, parentes e representantes de instituições homenagearam Kathlen e voltaram a pedir Justiça.

O Estadão não localizou as defesas dos cinco réus.

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