Carl de Souza|AFP
Carl de Souza|AFP

Justiça decreta mais sete mandados de prisão para Rocinha

Decisão envolve acusados de torturar dois jovens na comunidade; entre os mandados, está o de Carlos Alexandre da Silva, de 19 anos, que foi preso na manhã deste sábado, 30

Constança Rezende, O Estado de S.Paulo

30 Setembro 2017 | 15h31

RIO - A Justiça do Rio decretou a prisão de sete acusados de torturar dois jovens da favela da Rocinha, na zona sul do Rio. Entre os mandados, está o de Carlos Alexandre da Silva, de 19 anos, que foi preso na manhã deste sábado, 30. Com isso, subiu para 62 o número de mandados de prisão contra criminosos da Rocinha. Deste número, 12 foram cumpridos. 

Os jovens teriam sido agredidos nesta quinta-feira, 28, segundo testemunhas, porque um deles usava um boné que dizia "Jesus Cristo é o dono do lugar".  Este seria um lema do traficante Rogério Avelino, o Rogério 157, atual "dono" do morro. O ataque ao adolescente teria sido feito por comparsas de Antonio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, que disputa o controle de venda de drogas na Rocinha com 157 e que invadiu a favela no dia 17. 

Os jovens foram espancados, amarrados, quase queimados vivos e salvos por homens da Marinha. O pai de um dos torturados, que agrediu por vingança o suspeito Carlos Alexandre da Silva, também foi preso. Fabrício Manhães, que é guardião de piscina e mora no morro, argumentou que teria vingado o filho. 

Ele negou que o filho tivesse qualquer envolvimento com o tráfico. "Ele é trabalhador, não tinha vínculo com nada, com Nem, com Rogério. Fui atrás do meu prejuízo. Amarraram meu filho para matar, meu filho não é bandido. Derramaram o sangue da minha família. Pode ser até o papa, mas eu vou atrás", disse, enquanto era levado à delegacia da Rocinha. Ele foi autuado por tentativa de homicídio.

Com a saída das Forças Armadas, apenas a Polícia Militar reforça a segurança na região. 

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