WILTON JUNIOR/ESTADAO
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Prisão de tenente da PM que matou espanhola na Rocinha é mantida

Decisão judicial mandou soltar David dos Santos Ribeiro, mas ele ficará detido por acusação de crime militar

Constança Rezende, Marcio Dolzan e Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

24 Outubro 2017 | 15h39
Atualizado 24 Outubro 2017 | 23h46

RIO - O tenente da Polícia Militar do Rio David dos Santos Ribeiro, acusado de matar com um tiro na segunda-feira, 23, a turista espanhola Maria Esperanza Ruiz, na Rocinha, zona sul do Rio, vai continuar preso, apesar de ter conseguido liberdade provisória na Justiça. Ribeiro é acusado do crime de disparo de arma de fogo em via pública, o que contraria normas da corporação e esse delito será analisado pela Justiça Militar. 

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A decisão judicial para libertar o PM vale apenas para o crime de homicídio doloso qualificado, pelo qual foi indiciado pela Polícia Civil. O tenente segue preso no Batalhão Especial Prisional, em Niterói, na região metropolitana. 

Além de Ribeiro, foi preso o soldado Luís Noronha Rangel, que atirou para cima durante a abordagem. Ele - que não foi indiciado por homicídio, mas só por crime militar - também segue preso. Para que ambos sejam soltos, é necessário recurso na Justiça Militar.

Ribeiro matou a espanhola quando ela deixava a Rocinha, de carro, após passeio turístico. Ela fora visitar a comunidade levada por uma agência de turismo. O veículo em que estava foi alvejado perto do Largo do Boiadeiro, na saída do morro.

 

Segundo o delegado da Divisão de Homicídios, Fábio Cardoso, houve conflito de versões entre PMs (que afirmaram que o motorista do carro desobedeceu ordem para parar) e testemunhas que estavam no veículo (que negam ter visto a ordem do policial). O automóvel foi atingido duas vezes: no vidro traseiro e no para-choque. Mas houve outros disparos. “Tenho de ressaltar que, o fato de um carro não acatar a ordem de parada não dá o direito de os policiais atirarem”, disse Cardoso. Em depoimento, Ribeiro ficou calado. 

Empresa

Por nota, o Grupo Rio Carioca Tour, responsável pelo passeio em que Maria Esperanza foi morta, afirmou que o motorista relatou ter ouvido três disparos. Segundo a empresa, o motorista já havia sido parado por policiais e teve o carro revistado antes de buscar os turistas. 

Quando ouviu os três disparos, o motorista, “achando que se tratava de um tiroteio, acelerou para sair da Rocinha”. Só na Auto-Estrada, quando foi parado por outro grupo de PMs, eles perceberam que a espanhola havia sido baleada.

A Rio Carioca Tour também afirmou ser credenciada e acostumada a fazer passeios pela favela. Também negou ter recebido informações da polícia sobre confrontos na comunidade no dia. A Polícia Civil também investiga a responsabilidade da empresa no caso. 

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