WILTON JÚNIOR/ESTADÃO
WILTON JÚNIOR/ESTADÃO

Parque do Flamengo e Lagoa terão novo modelo de policiamento

Serão usadas preferencialmente armas de baixa letalidade e as abordagens a suspeitos serão filmadas

Fábio Grellet, O Estado de S. Paulo

26 Outubro 2015 | 20h22

RIO - O governo do Estado do Rio e o sistema Fecomércio (Federação do Comércio do Estado do Rio e o Serviço Social do Comércio) firmaram nesta segunda-feira, 26, uma parceria para ampliar o policiamento no entorno da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Parque do Flamengo (ambos na zona sul do Rio) e em mais de 20 ruas do Méier, na zona norte.

A partir de 1º de dezembro e pelo prazo de dois anos será testado um novo modelo de policiamento nesses locais, com 363 PMs da reserva e jovens que acabaram de deixar as Forças Armadas, após cumprir o serviço obrigatório. Eles vão patrulhar esses pontos da cidade a pé, de carro, bicicleta ou moto. 

O modelo é inspirado no programa Lapa Presente, atualmente bancado só com recursos do governo do Estado. Em vez do uniforme tradicional, os PMs trabalharão com coletes do projeto e uma tarja para facilitar a identificação. Serão usadas preferencialmente armas de baixa letalidade, como spray de pimenta e pistola de choque, e as abordagens a suspeitos serão filmadas. As equipes serão monitoradas por GPS.

A Fecomércio investirá R$ 44 milhões no projeto - R$ 22 milhões por ano -, que serão usados para pagar salários e uniformes das equipes. O governo estadual vai fornecer armas e veículos. Agentes da Guarda Municipal e da secretaria municipal de Desenvolvimento Social e garis da Comlurb também vão circular pelas regiões. 

Dados de criminalidade. De janeiro a setembro de 2015, 70.017 pessoas maiores de idade suspeitas de infringirem alguma lei foram levadas para as delegacias de polícia, no Estado do Rio de Janeiro, segundo estatística divulgada nesta segunda-feira, 26, pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), órgão ligado à Secretaria Estadual de Segurança. 

Desses, 25.718 (36,7%) assinaram Termos Circunstanciados de Ocorrência (TCO), usados quando o caso é considerado de menor potencial ofensivo.

Os outros 44.299 (63,3%) assinaram nota de culpa (documento que dá ciência ao preso sobre os motivos de sua prisão). Desses, 32.581 foram efetivamente presos (recolhidos ao sistema carcerário).

Os outros 11.718 podem ter pago fiança ou usado outro procedimento que permite a liberdade provisória ou a liberação do autor, como determina a lei.

Menores. Nesse mesmo período (nove primeiros meses do ano), 9.859 adolescentes foram levados para delegacias de polícia na situação de apreendidos. Destes, 860 (8,7%) assinaram Boletins de Ocorrência Circunstanciados (BOC), o que geralmente não resultaria em apreensão do adolescente ao sistema socioeducativo.

Os outros 8.999 (91,3%) assinaram notas de pleno e formal conhecimento (documento que dá ciência da acusação).

Os dados fazem parte do Relatório de Prisões e Apreensões de Adolescentes no Estado do Rio de Janeiro divulgado nesta segunda-feira pelo ISP.

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