Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Letalidade policial no Rio bate novo recorde e mortes chegam a 1.075 no ano

Dados divulgados nesta quarta mostram que 194 foram mortos por policiais no mês de julho, maior número da série histórica iniciada em 1998. 'Criminosos fazem opção pelo enfrentamento', diz secretaria

Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2019 | 21h01

RIO - A polícia do Rio matou 194 pessoas em todo o Estado no mês de julho passado, o maior número desde que essa estatística começou a ser contabilizada, em 1998 - há 21 anos. O dado foi divulgado nesta quarta-feira, 21, pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), órgão do governo do Estado do Rio, e corresponde à média de mais de seis pessoas por dia. Desde o início do ano, 1.075 pessoas foram mortas pela polícia - média de 5 por dia. Segundo os registros, essas mortes ocorreram durante confrontos com os policiais.

Até julho, o recorde de mortos tinha sido registrado em agosto de 2018: 176. Em maio deste ano o número se aproximou do então recorde, com 171 mortes. De janeiro a julho de 2018, a polícia matou 899 pessoas. Nesta terça-feira, o sequestro de um ônibus na Ponte Rio-Niterói terminou com a morte do sequestrador por um sniper da polícia

Segundo os dados do ISP, nenhum policial foi morto em serviço em julho deste ano. No mesmo mês do ano passado foram contabilizadas quatro mortes. De janeiro a julho de 2019, doze policiais foram mortos em serviço. No mesmo período de 2018 foram 22 mortes.

O número de homicídios dolosos (intencionais) no Estado caiu 22,9% nos primeiros sete meses do ano, em comparação com o mesmo período de 2018: foram 2.392 neste ano e 3.101 no ano passado. O número de roubos no Estado do Rio também caiu neste ano, em comparação com 2018. Foram 125.392 de janeiro a julho deste ano e 139.971 no mesmo período do ano passado.

Operações reduzem indicadores, diz secretaria

Em nota, a Secretaria de Polícia Militar afirmou que as operações da corporação “têm sido fundamentais para a redução expressiva dos indicadores criminais”. Declarou também que elas “são pautadas por planejamento prévio e executadas dentro da lei”.

“Muitas vezes, no entanto, os criminosos fazem a opção pelo enfrentamento, dando início ao confronto”, afirmou a PM secretaria no texto. “Quando a operação policial resulta em mortes ou feridos, um inquérito policial militar é aberto para apurar as circunstâncias do fato. Em caso de morte, é instaurado inquérito pela Polícia Civil, com acompanhamento do Ministério Público”.

Pela manhã, o secretário de Polícia Civil, Marcus Vinícius Braga, afirmou à TV Globo que a tendência é que o número de mortos pela polícia suba ainda mais.

 “A tendência é subir até dezembro, porque as ações (policiais) estão sendo feitas. Conforme a gente for trabalhando as investigações, a inteligência, a integração com a Polícia Militar, a tendência é baixar. É um número alto, não é o número que a gente deseja”, afirmou o secretário.

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