Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Liberação de prédio no Rio para moradores pode levar meses

Engenheiro da Defesa Civil afirma que interdição do Edifício Canoas continuará até que todas as obras de restauro estejam finalizadas

Danielle Villela e Carina Bacelar, O Estado de S. Paulo

19 Maio 2015 | 11h49

Atualizado às 13h35 do dia 21/5

RIO - Desalojados pela explosão na madrugada desta quarta-feira, 18, os cerca de 200 moradores do Edifício Canoas, em São Conrado, zona sul do Rio, poderão levar meses até voltar aos apartamentos. O engenheiro Luís Moreira Alves, da Defesa Civil, afirmou nesta terça-feira, 19, que a desinterdição total do prédio só deverá ocorrer após todas as obras de restauro. 

“Amanhã (quarta-feira, 20), até o fim do dia, deveremos fazer a desinterdição do prédio para obras. O condomínio terá de apresentar um responsável técnico que assuma os restauros das partes elétrica e hidráulica e das instalações de gás”, disse.

Segundo Alves, só após as obras, a Defesa Civil fará nova vistoria para liberar a habitação. Ele se esquivou de dar prazos. “Vai depender da empresa contratada.” O engenheiro reafirmou que a estrutura do edifício está “ótima”. “Não há risco de desabamento. Estamos monitorando 24 horas e não há nada indicando problema estrutural.” 

Ainda assustados, os moradores voltaram nesta terça aos apartamentos para pegar pertences. Foi permitida a entrada de apenas duas pessoas, por cerca de 20 minutos, em cada um dos 69 apartamentos ocupados, em grupos divididos por andar. O prédio, de 19 andares, tem 72 apartamentos.

“Pegamos o básico para seguir a vida. Em menos de 90 dias não acredito poder voltar. Enquanto isso, vamos continuar incomodando familiares”, disse o administrador Fernando Galio, de 58 anos, morador do 7.º andar. Até o fim da tarde desta terça, já haviam sido retiradas 15 toneladas de entulho.

“De madrugada fizemos o trabalho pesado de remoção dos escombros. Agora vem a parte mais minuciosa”, afirmou o secretário municipal de Coordenação de Governo, Pedro Paulo Teixeira.

Prejuízos. O síndico Jorge Alexandre Oliveira disse que a seguradora arcará com os custos das obras nas áreas comuns. “Nos apartamentos, cada condômino terá de se responsabilizar.” Ainda não foi definida a empresa que fará os reparos elétricos, hidráulicos e das instalações de gás. Danos a móveis e a eletrodomésticos também terão de ser arcados pelos moradores.

A turismóloga Nathália Amaral, de 28 anos, ficou aliviada quando o dono do apartamento onde mora, no 15.º andar, disse que assumiria os custos dos reparos necessários e ofereceu ajuda com a hospedagem. "Estou na casa da minha cunhada e não vou precisar, mas o proprietário foi ótimo."

Responsabilidade. A Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio (Agenersa) abriu processo administrativo para apurar a responsabilidade da Companhia Distribuidora de Gás do Rio de Janeiro (CEG) na explosão. O presidente da empresa, José Bismarck Vianna, disse que a agência inspecionou ontem a rede de gás do prédio e que aguardará o laudo da Polícia Civil, responsável pela investigação das causas do acidente.

Caso seja verificada negligência, a CEG poderá ser multada. Vianna evitou nesta terça falar em hipóteses para a explosão no apartamento do alemão Markus Müller, que teve metade do corpo queimado e segue internado em estado grave. Mas Defesa Civil, Polícia Civil e Agenersa consideram quase certo que um vazamento de gás seja a causa do acidente.

Para Antônio Eulálio, do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea), uma vistoria prévia não impediria o acidente. Ele disse crer que a explosão de gás acumulado pode ter sido desencadeada pelo acendimento de uma lâmpada.

A CEG disse que trabalha “para estabelecer as regras necessárias para cumprimento” da nova lei, até mesmo no que se refere ao credenciamento de empresas responsáveis pela autovistoria. A companhia se eximiu de responsabilidade na fiscalização das tubulações de gás. “Como em outros serviços públicos, como água e luz, a manutenção dos equipamentos e das instalações internas é de responsabilidade do consumidor.”

Mais conteúdo sobre:
Rio de Janeiro São Conrado Acidente

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.