Líder da Mangueira renuncia após admitir ligação com Beira-Mar

Ligação entre o presidente Percival Pires e o traficante abriu crise na escola de samba do Rio de Janeiro

Pedro Dantas, de O Estado de S. Paulo,

06 de dezembro de 2007 | 12h11

O presidente da Mangueira, Percival Pires, renunciou ao cargo na manhã desta quinta-feira, 6, após a divulgação de fotos e de um vídeo em que aparece, ao lado de ritmistas da escola de samba, presta homenagens ao traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. A renúncia foi anunciada em entrevista coletiva nesta manhã.   Nas fotos, Percival aparece ao lado da mulher e cúmplice de Beira-Mar, Jacqueline Alcântara, na festa de casamento promovida por ela em um condomínio da Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro.   Percival, que se referiu a Jacqueline como "grande amiga" em sua primeira entrevista sobre o assunto, admitiu que o episódio abriu uma crise na escola, inclusive com a pressão dos patrocinadores do carnaval e de projetos sociais. A presidência da verde-e-rosa passará a ser exercida por Eli Gonçalves da Silva, a Chininha, que há seis anos ocupa a vice-presidência da escola.   Em entrevista coletiva, na quinta-feira, 29, Pires afirmou que a escola recebeu R$ 2.500 do traficante para que passistas e ritmistas da Mangueira participassem de uma festa no dia 20 de outubro deste ano. A festa aconteceu após Jacqueline voltar ao Rio, depois de ter se casado com Beira-Mar, preso na Penitenciária Federal de Campo Grande (MS). Os dois se casaram em setembro e a festa foi organizada para homenagear a união do casal; a comemoração aconteceu em um condomínio na Barra da Tijuca.   Pires chegou a negar que a mulher do traficante tenha feito doações à agremiação, mas a informação foi contestada pelo assessor jurídico da Mangueira. Segundo Nélio Andrade, Jacqueline doou 50 cestas básicas à escola neste ano. Além disso, o presidente da Mangueira afirmou que deu um diploma ao casal em comemoração à união. No dia 22 de novembro, Jacqueline foi presa pela PF sob acusação de comandar o esquema de tráfico de drogas do Beira-Mar, que chefiava a quadrilha de dentro da prisão.

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