Líder do tráfico do Pavão-Pavãozinho trabalhava no PAC

Adauto do Nascimento Gonçalves, conhecido como Pit Bull, apresentou aos policiais o crachá de vigia de obra

Felipe Werneck, do Estado de São Paulo

28 de abril de 2008 | 20h24

Apontado pela polícia como um dos líderes do tráfico no Morro do Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, na zona sul do Rio, Adauto do Nascimento Gonçalves, de 28 anos, também conhecido como Pit Bull, foi contratado pela construtora OAS para trabalhar de vigia nas obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) na favela. Ele estava em liberdade condicional e foi detido às 6 horas desta segunda-feira, no início de uma operação policial no morro que resultou na prisão de outros quatro acusados. Pit Bull estava em casa e apresentou aos policiais o crachá da OAS.   Gonçalves admitiu, em entrevista, que atuou como gerente do tráfico na favela após deixar a prisão, em 2006, mas afirmou que havia deixado o "movimento" em abril do ano passado. Ele contou na delegacia que cumpriu pena de 3 anos e meio por porte de arma e estava em liberdade condicional. Pit Bull tinha uma marca vermelha no canto do olho direito. Durante a operação não havia mandado de prisão contra ele. A polícia, que afirma ter provas da participação de Gonçalves no tráfico, pediu ontem a prisão dele e no início da noite a Justiça expediu um mandado sob a acusação de associação ao tráfico. Segundo a namorada de Pit Bull, Carla Rodrigues, de 20 anos, o casal estava dormindo e foi agredido por policiais. "Eles (os policiais) entraram quebrando tudo, me bateram na cara, pegaram dinheiro e celular, botaram um saco na cabeça dele, foi um esculacho", afirmou.   Cerca de 100 policiais civis e militares participaram do cerco, apoiados por dois helicópteros. "Ele foi detido porque há motivos para ser preso. Não vou antecipar, mas os senhores vão ver os motivos pelos quais ele foi preso", disse o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame. Ele admitiu que o processo de consulta dos cadastros de empregados para as obras nas favelas "deverá mudar", mas ressalvou que o fato de uma pessoa ter antecedentes criminais "não quer dizer que ela não deve ser contratada".   O delegado Marcus Braga, que comandou a operação, afirmou que "há informações de que outros traficantes estão tentando se infiltrar" nas obras do PAC. Segundo ele, conversas por telefone interceptadas pela polícia "comprovam" a participação de Pit Bull no tráfico. Os policiais encontraram na favela um local supostamente usado por criminosos para queimar pessoas. Os outros quatro presos acusados de tráfico são: Júlio César Ferreira da Silva, de 24 anos, Tomaz Rodrigues, de 27, Raimundo da silva, de 24 e Edmilson Trancoso, de 26.   Foram apreendidos em outros pontos da favela um fuzil, uma pistola, uma submetralhadora, uma carabina, uma granada, três bombas de fabricação caseira, munição de festim que teria sido roubada durante as filmagens do longa Tropa de Elite, 2.185 projéteis, 9 quilos de pasta base de cocaína, material para refino, 2 balanças, 8 computadores e uma prensa hidráulica de 1,5 metro de altura, supostamente usada para compactar droga.   Conduta   O crachá apresentado por Pit Bull e apreendido pela polícia, n.º 8004, é da construtora OAS. No início da noite, a OAS confirmou a contratação e alegou que "a exigência de `nome limpo' é conduta discriminatória e causa danos morais e materiais irreversíveis por estar atingindo a dignidade da pessoa e criando obstáculos às oportunidades de emprego". A construtora informou que, "além de atender aos preceitos legais e obedecer às instruções do Ministério do Trabalho, contratou, para realização das obras, funcionários que moram nas comunidades".

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