Foto: Fabio Motta|Estadão
Foto: Fabio Motta|Estadão

Mãe de Kevin descarta que filho tenha sido jogado no lixo

Depoimento de mãe durou mais de mais de três horas na 26ª Delegacia de Polícia, no Méier

Marcio Dolzan, Rio de Janeiro

11 Novembro 2017 | 09h52

RIO - A mãe do bebê Kevin, cujo corpo sumiu do Hospital Pasteur, na zona norte do Rio, após nascer morto no último domingo, afirmou não acreditar que ele tenha sido simplesmente descartado. Segundo Rayane Araújo, o bebê, que estava na 22ª semana de gestação, “já estava com o corpo todo formado e não tinha como ser confundido”. Nesta sexta-feira, 10, ela e o marido, Wanderson Nunes, disseram que ainda esperam conseguir fazer o enterro do bebê e pediram punição aos responsáveis.

Rayane prestou depoimento de mais de três horas na 26ª Delegacia de Polícia, no Méier. Ao final, demonstrando cansaço, ela conversou com jornalistas e narrou o que aconteceu no domingo, após ser induzida a um parto normal quando os médicos constataram que Kevin estava morto.

“Logo depois do parto, a gente viu o nosso filho. Ele era um bebê, não tinha como você confundir com uma coisa, jogar no lixo, descartar como se fosse um objeto qualquer”, declarou. “Era um bebê bem grande, estava todo formadinho, tinha todos os dedinhos. Essa desculpa deles (hospital), de que jogaram meu filho no lixo, isso eu não acredito.”

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Ela contou que, mais tarde, tentou ver o filho novamente, mas não conseguiu. “(A médica) me informou que ele tinha ido para a geladeira, que estava ali, onde eu estava, mas na geladeira”, narrou Rayane. “Quando fui pro quarto eu vinha insistindo para ver meu filho e eles não deixaram. Vinham sempre com desculpas, dizendo que eu devia levar a imagem do meu filho quando nasceu, que o corpo dele e aparência já tinham mudado, já estaria totalmente roxo. Meu filho não nasceu roxo, ele era totalmente branquinho.”

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O casal ainda tem esperança de conseguir fazer o enterro do bebê – algo que estava marcado para a última terça e que chegou a reunir familiares num cemitério da Ilha do Governador.

“A gente quer o nosso filho. É questão de a gente continuar a nossa vida, e ela (Rayane), principalmente, conseguir deitar e dormir”, afirmou Wanderson. Ele disse ainda que esperam o desfecho do caso para “desmontar as coisas” que estavam sendo preparadas para o nascimento do bebê.

Rayane e Wanderson também querem punição aos responsáveis. “O mínimo que a gente espera é que os culpados paguem por isso. Não é justo a gente estar sofrendo por falha do hospital. Foi uma grande incompetência, e generalizada”, disse o pai do bebê. “No Brasil está se banalizando tudo.”

Outro caso.  Nesta sexta-feira, 10, o Hospital Pasteur se posicionou sobre o caso envolvendo Dyanne Pinto Nunes, ocorrido em 2015. À época, ela perdeu o bebê com cerca de 16 semanas de gestação, e a família não recebeu o corpo. Dyanne teve complicações e morreu no mesmo hospital 23 dias depois.

De acordo com o hospital, “todos os requisitos legais relacionados ao referido caso foram cumpridos”. A instituição declarou que “em caso de morte fetal, como determina a Resolução 1.779/2005 do Conselho Federal de Medicina (CFM), quando a gestação tiver duração inferior a 20 semanas ou o feto tiver peso corporal inferior a 500 gramas e/ou estatura inferior a 25 cm, a declaração de óbito é facultativa”. O Pasteur informou ainda que, nesses casos, “a destinação do feto cabe ao hospital, tal como realizado à época”.

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