FABIO MOTTA/ESTADÃO
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Crianças e adolescentes representam mais da metade das vítimas de violência sexual no Rio

Estudo do ISP mostra que autores das agressões são, na maioria dos casos, parentes ou pessoas conhecidas da família. Documento tem a finalidade de orientar políticas na área

Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

23 Novembro 2018 | 23h44

RIO - Crianças e adolescentes foram as vítimas de mais da metade dos crimes de violência sexual registrados no Estado do Rio de Janeiro em 2017, indica o Dossiê Criança e Adolescente, documento divulgado nesta sexta-feira, 23, pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), órgão da secretaria estadual de Segurança do Rio de Janeiro.

Com base nos boletins de ocorrência registrados pela Polícia Civil e em registros da Secretaria Estadual de Saúde, o Dossiê concluiu que 59% das vítimas de violência sexual e 49% das vítimas de periclitação da vida e da saúde praticados no Estado do Rio em 2017 são crianças e adolescentes.

A pesquisa concluiu ainda que parentes ou pessoas conhecidas pelas crianças são autores de 47% das agressões físicas, de 47% dos crimes de ameaça e constrangimento ilegal, de 40% dos crimes de violência sexual e de 38% dos crimes de violência moral.

“Os dados indicam que o Estado do Rio seguiu a tendência nacional de aumento na letalidade violenta contra crianças e adolescentes nos últimos anos”, afirmou Flávia Vastano, especialista em políticas públicas e gestão governamental no ISP e responsável pelo Dossiê, que está em sua quarta edição – ele já fora produzido também em 2005, 2007 e 2015.

O documento mostra ainda que 90,5% dos adolescentes e 51,9% das crianças que sofreram mortes violentas em 2017 foram assassinadas a tiros. A maioria dos crimes ocorreu perto de casa – a até três quilômetros de onde a criança ou adolescente morava – e áreas tradicionalmente controladas por grupos criminosos concentram também as ocorrências contra crianças e adolescentes – um grupo de 25 áreas conflagradas foi palco de 37% dos crimes analisados no Dossiê.

O documento tem a finalidade de orientar campanhas socioeducativas e iniciativas governamentais para combater a violência contra crianças e adolescentes.

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