WILTON JUNIOR / ESTADÃO
WILTON JUNIOR / ESTADÃO

Mais de 40 horas após temporal, partes do Rio ainda enfrentam problemas

Barcos estão sendo usados para socorrer moradores isolados pelas águas. Prefeitura prometeu adotar medidas

Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2019 | 00h01

RIO - O Jardim Maravilha, um bairro simples em Guaratiba, na zona oeste do Rio, foi um dos mais atingidos pela tempestade da última segunda-feira, 8. Dois dias depois do temporal, o local segue completamente alagado, com muitos moradores ilhados.

“Muitas áreas do bairro ainda estão inundadas, sem acesso a veículos comuns”, contou o pastor Neiriston da Silva Velez, da Igreja Batista local. O templo serve de base para doações e ajuda aos desabrigados. Conseguimos um carro 4X4 com um vizinho e estamos indo até as pessoas que estão ilhadas, levando água e alimentos.”

Barcos também estão sendo usados para socorrer moradores isolados pelas águas. O prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB), esteve na manhã desta quarta-feira, 10, no local e anunciou algumas medidas para mitigar a situação.

“A situação aqui é decorrente das chuvas, inundaram o rio, que transbordou. Também pelo lençol freático, é muita água aqui nessa região”, justificou o prefeito. Ele subiu numa retroescavadeira para chegar aos pontos mais críticos do alagamento. “Hoje (quarta) vamos começar com duas máquinas grandes a fazer a dragagem do canal. A tendência é que as águas do canal desemboquem no mar, agora com as chuvas baixando.”

Equipes da Rio-Águas, da Comlurb, da Conservação e de Infraestrutura e Obras foram ao local para executar serviços de dragagem do Rio Cabuçu-Piraquê,  desentupimento de bueiros, limpeza e secagem de pistas. Técnicos da Secretaria de Assistência Social distribuíram cerca de 240 cestas básicas aos moradores que mais sofreram com a enchente.

O Rio seguia em estágio de crise. A chuva continua caindo de forma intermitente no município, embora bem mais fraca. Mesmo assim, vários pontos importantes da cidade seguem alagados.

De acordo com o Centro de Operações da Prefeitura, nove vias importantes nas zona sul e oeste ainda estavam nesta quarta interditadas por causa dos efeitos da tempestade: bolsões de água, queda de árvores e áreas com risco de deslizamento. Alguns bairros da zona oeste, como o Jardim Marvilha, seguem completamente alagados.

A previsão para a noite ainda era de chuva forte. A prefeitura manteve a recomendação para a população se mantivesse abrigada e evitasse deslocamentos desnecessários. E a perspectiva de mais chuva se mantém até domingo.

Na tarde desta quarta, foram enterrados no Rio os corpos da astróloga Lúcia Neves, de 63 anos e de sua neta Júlia, de seis anos. O enterro do motorista do táxi em que as duas estavam, Marcelo Marcelino, foi adiado para esta quinta-feira, 11. O carro foi soterrado num deslizamento de encosta em Botafogo, na zona sul. 

O corpo do sushimen Guilherme de Nascimento, de 30 anos, também vítima da tempestade, foi enterrado no cemitério do Caju, na zona norte.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.