Mais um corpo é recolhido na Favela da Coréia; OAB quer laudo

Presidente do órgão no Rio tem criticado o que chama de 'política de extermínio' do governo fluminense

Clarissa Thomé, do Estadão

21 Outubro 2007 | 16h18

O corpo de mais uma vítima da operação na Favela da Coréia foi recolhido neste domingo, 21, na Estrada do Taquaral, em Bangu, zona oeste da cidade, quatro dias depois dos confrontos que deixaram 12 . Alexandre Lima, de 22 anos, conhecido como Buiú, foi morto com um tiro de fuzil na cabeça, quando se escondia num buraco. "A polícia foi feita para prender, não para matar", protestou uma prima de Lima. No sábado, outros cinco homens foram mortos na área do 14.º Batalhão (Bangu).   Veja também: OAB-RJ vê 'política de extermínio' em ação da polícia de Cabral Bandidos não devolvem fuzis, ironiza Cabral     O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Rio, Wadih Damous, informou que vai pedir o laudo do Instituto Médico Legal de Alexandre Lima para saber se houve execução na operação na Favela da Coréia, que deixou 12mortos, segundo os dados oficiais .    "O laudo vai esclarecer, mas pela descrição há sinal de execução. Vou requisitar não só esse laudo como de todos os outros, inclusive os do Complexo do Alemão, feitos por peritos federais, que até agora não foram liberados", afirmou Damous, que tem criticado o que chama de "política de extermínio" do governo fluminense.       Em nota, o governo do Estado respondeu as críticas da OAB e reiterou que as ações da polícia são planejadas com inteligência e que o confronto é inevitável. "O Governo não vai recuar de sua obrigação de buscar e garantir a segurança da população", informou o texto.   A Secretaria de Segurança mantém o número oficial de mortes: dez traficantes, um policial e um menino de quatro anos, vítima de bala perdida. De acordo com a Secretaria, ainda serão apuradas as circunstâncias da morte de outras vítimas encontradas na região depois da operação.     Alexandre Lima   O corpo de Alexandre Lima foi deixado na Estrada do Taquaral por moradores na manhã de sábado. Até as 13 horas deste domingo, não havia ainda sido retirado pelo Corpo de Bombeiros. O carro blindado do 14.º Batalhão circulou pela região da Vila Aliança e Mangueiral em busca de outros corpos, mas nada encontraram.   Muito nervosa, a mãe de Lima, a ambulante Icinéia Lima, de 48 anos, disse que procurou pelo filho nos últimos dias em hospitais e no Instituto Médico Legal. No sábado, foi avisada que o corpo de Buiú havia sido localizado.   Ela contou que chegou a questionar o filho sobre sua opção de se envolver com criminosos: "Essa é a vida que você quer?" relatou Icinéia sobre uma conversa que teve co o rapaz. "Ele respondeu que não queria viver como camelô como eu, sofrendo humilhação", contou. Depois, intimidada pela gravação das equipes de tevê, mudou a versão.   "Eu trabalho o dia todo fora de casa. Não vigio meu filho. Como vou saber o que aconteceu?" Por causa do adiantado estado de decomposição do corpo, Icinéia disse que só conseguiu reconhecê-lo pela "barba, as unhas compridas e o relógio que sempre usava". "Por que não tiraram (o corpo) logo? Por que deixaram ele ficar assim, todo ruim?", indagava.   Além de Alexandre, outros dois corpos foram deixados no Hospital Albert Schweitzer, em Realengo, no dia seguinte à operação. O Corpo de Bombeiros teve de recolher ainda dois outros corpos de homens deixados num bar, na Rua Fernandes Lima, em Anchieta, também na zona Oeste.    Na Rua Acrísio Lopes, em Guadalupe, na mesma região, Fábio Garcia de Mendonça, de 20 anos, Jonatan Estulano da Silva, de 16 e Rodrigo Fabrício da Silva, de 20, foram executados com tiros nas costas e na cabeça. Moradores disseram que os rapazes praticavam roubos na região.   Texto atualizado às 17h30

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