Mais uma agência bancária é explodida no Rio

Este mês, houve três casos de agências explodidas somente no bairro de Laranjeiras, na zona sul, um na Tijuca e outro em Vila Isabel, na zona norte

Roberta Pennafort, Roberta Jansen e Renata Batista, O Estado de S.Paulo

31 Maio 2018 | 13h41

RIO - O Rio de Janeiro teve mais uma agência bancária explodida, dessa vez na Taquara, na zona oeste. Os bandidos agiram por volta das 3h30. Policiais militares chegaram na hora e houve confronto. Ninguém ficou ferido nem foi preso.

A Polícia Militar fez buscas na região de Jacarepaguá e, na Cidade de Deus, foi localizado um dos carros utilizados pelos criminosos. Este mês, houve três casos de agências explodidas somente no bairro de Laranjeiras, na zona sul, um na Tijuca e outro em Vila Isabel, na zona norte.  

O número de caixas eletrônicos desativados no Rio é o maior do Brasil, segundo os últimos números divulgados pelo Banco Central. Em junho de 2016, quando o levantamento foi criado, o país tinha 33,1 mil unidades de autoatendimento. O último número disponível, de abril deste ano, revela uma queda de 6,1% no total. No Rio, no entanto, a redução foi de 10,4% (em São Paulo foi de 8,6%).

O método de explodir caixas eletrônicos foi ensinado a criminosos do Rio por grupos especializados de São Paulo, sobretudo ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC), conforme informações do Grupo de Atuação Especial em Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público Estadual (MP). O promotor Fabiano Oliveira, que participou da operação TNT no ano passado, disse que o intercâmbio é frequente.

Os caixas eletrônicos possuem um dispositivo sensível ao calor que inutiliza as notas em caso de explosão. Por isso, é preciso saber exatamente o quanto de explosivo utilizar: se for muito, há o risco de inutilizar as notas expondo-as ao calor da explosão; se for pouco, periga não abrir a parte externa do caixa.

"Eles aprenderam com os grupos de São Paulo ajustar a quantidade e posicionar os explosivos de modo que, no momento da detonação, conseguem preservar intacta a caixa onde fica guardado o dinheiro para ser aberta posteriormente", explicou Oliveira.

O modo como os assaltantes atuam é semelhante. Eles chegam no meio da madrugada, em dois ou três carros, em grupos armados de fuzis e com os explosivos. Quebram a porta da unidade com uma marreta e explodem o caixa. A ação não dura mais de 15 minutos. As quadrilhas usam C-4, um explosivo voltado a grandes demolições e que só pode ser usado com autorização do Ministério da Defesa. 

"Um dos motivos para o aumento dos crimes com o uso de explosivos é justamente a falta de tipificação própria, que muitas vezes impede uma punição mais severa ao autor do delito, o que estimula a sua prática", explicou a Federação Nacional dos Bancos, em nota. "Ao analisar o risco da conduta e a pena aplicada, o criminoso vislumbra ser a mesma proveitosa, uma vez que, ainda que seja capturado, sua pena será reduzida."

As ações são planejadas com base em informações repassadas por cúmplices do banco: de acordo com o promotor, as quadrilhas só investem contra caixas que estão abastecidas. O volume total de dinheiro num caixa pode variar muito, dependendo da região em que se encontra. Mas a operação é altamente rentável. Um único caixa pode ter até R$ 600 mil.

"As ações são rentáveis e muito menos arriscadas do que o tráfico de drogas, por exemplo, em que há confrontos com a polícia e com facções rivais, além do risco de perder a mercadoria", esclareceu Oliveira.

Segundo o promotor, no entanto, as quadrilhas atuais estariam atuando de forma um pouco diferente do que ocorria no ano passado. Ao que tudo indica, existe um grupo restrito, que tem o conhecimento técnico da operação. Mas os executantes são recrutados a cada ação, o que vem dificultando a apuração dos crimes.

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