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Mais uma pessoa é morta pela PM durante buscas por Fat Family

Homem teria sido alvejado durante confronto; com o caso, já são nove vítimas de operações para encontrar traficante resgatado

Constança Rezende, Fábio Grellet e Sérgio Torres, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2016 | 11h08

RIO - Nove pessoas já foram mortas pelas forças de segurança durante operações feitas para tentar localizar e prender o traficante Nicolas Labre Pereira de Jesus, o Fat Family, de 28 anos, resgatado por comparsas do Hospital Estadual Souza Aguiar, no centro do Rio, na madrugada do dia 19. A nona morte aconteceu nesta terça-feira, 28, durante operação da Polícia Militar no Morro dos Chaves, em Barros Filho (zona norte). Em média, desde a fuga, a caça ao fugitivo resultou na morte de um suspeito por dia.

Nove dias após o delegado Rivaldo Barbosa, da Divisão de Homicídios, ter dito que prender novamente Fat Family e seus comparsas é “questão de honra” para a polícia, já são 150 os suspeitos detidos, dos quais 24 com menos de 18 anos. Mas o traficante e sua quadrilha continuam foragidos. Pior: os investigadores perderam a pista, depois que o criminoso conseguiu escapar, na sexta-feira passada, do cerco a seu esconderijo na Favela Nova Holanda, complexo da Maré, zona norte.

Desde o resgate, em que um homem acidentado morreu a tiros e duas pessoas foram baleadas - um policial e um funcionário do hospital -, já foram vasculhadas 50 favelas na região metropolitana, nas quais houve apreensão de 2,5 toneladas de drogas e de 348 veículos roubados. A primeira ação com mortes aconteceu três dias após o resgate: cinco suspeitos morreram na Favela do Rola, em Santa Cruz, zona oeste, durante ação da PM. Nenhum criminoso ligado a Fat Family foi encontrado. Segundo a polícia, os mortos eram traficantes que reagiram à ação.

Dois dias depois, mais três suspeitos morreram em operação da Polícia Civil na Favela Nova Holanda. Naquela sexta, agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e das Delegacias de Combate às Drogas (Dcod) e de Roubos e Furtos de Carga (DRFC) descobriram a casa para onde Fat Family foi levado após o resgate.

No imóvel havia material hospitalar roubado - o traficante foi ferido no rosto durante tiroteio com policiais civis no dia 13, quando foi preso. Se não fugisse, o bandido teria sido operado no Souza Aguiar. Apesar do cerco da polícia, o bandido conseguiu fugir. Sem helicóptero, parado por falta de dinheiro para manutenção, a polícia teve de avançar por terra e demorou para chegar ao casebre, ao confrontar cúmplices do traficante. Nos tiroteios, dois policiais ficaram feridos. Estão em recuperação, segundo a polícia.

O dia do confronto na Maré foi aquele em que os policiais estiveram mais perto de Fat Family, afirmou nesta terça o delegado Felipe Curi, da Dcod. Como o traficante acabou fugindo, a polícia agora investiga para onde ele foi levado. Segundo o delegado, uma das hipóteses é de que o criminoso mude regularmente de local, com o objetivo de despistar os policiais. 

Questionado pelo Estado, Curi não quis dar detalhes sobre novas incursões. Também não quis responder onde acredita que o traficante esteja escondido. Segundo ele, a operação desta terça em Barros Filho foi exclusiva da PM, sem apoio da Polícia Civil. A principal suspeita da polícia é que, a exemplo do que aconteceu na Nova Holanda, Fat Family, está sendo abrigado por criminosos vinculados ao Comando Vermelho (CV), da qual é um dos comandantes. As maiores favelas dominadas pela facção são Jacarezinho, Manguinhos, Complexo do Alemão e Chapadão, todas na zona norte. O CV também controla o Morro do Vidigal, na zona sul.

Histórico. Fat Family cresceu em uma família de criminosos. O pai, apelidado de Belote, e o tio Zaca são presidiários, assim como o irmão Marco Antônio Pereira Firmino da Silva, o My Thor, líder do CV encarcerado na penitenciária federal de Catanduvas (PR). A mãe, Jurema, já esteve presa por tráfico.

Seu envolvimento na bandidagem começou ainda criança. Com a prisão de My Thor, em maio de 2000, ele, aos poucos, ascendeu na quadrilha, cujo reduto é o Morro Santo Amaro, no Catete, zona sul. Além de tráfico, Fat Family é acusado de três assassinatos. Duas de suas supostas vítimas eram PMs, mortos em novembro de 2010 em uma emboscada na Praia do Barbudo, na Região dos Lagos.

Na segunda-feira, a Justiça decretou a prisão preventiva de Fat Family, indiciado pela Dcod por tentativa de homicídio, associação para o tráfico e porte ilegal de arma de uso restrito. Os crimes teriam sido praticados em 13 de junho, quando o criminoso foi preso e baleado. Quatro comparsas de Fat Family também tiveram a prisão preventiva decretada: Neversino de Jesus Garcia, de 37 anos, o Nezinho do Vidigal; Fabiano Juvenal da Silva, de 26, o Jabá; Luiz Alberto Araújo da Silva, de 26, o Bolão; e Marcus Vinícius Ferreira da Silva, indiciados pelos mesmos crimes de Fat Family. Jabá e Bolão foram presos com ele no dia 13. Nezinho do Vidigal, que teria planejado o resgate, e Silva estão foragidos

 

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