MARCOS DE PAULA/ESTADÃO
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Mangueira exalta a mulher brasileira na Marquês de Sapucaí

Escola enfrentou problemas por causa da chuva e do sistema de som, mas contornou percalços apostando na emoção do enredo

Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

16 de fevereiro de 2015 | 01h01

RIO - A chuva forte e o sistema de som vacilante atrapalharam o desfile da Mangueira, como já havia acontecido com a Viradouro. Mais tradicional e mais rica, a Mangueira conseguiu contornar os problemas apostando na emoção extraída de seu enredo autorreferente, e das alusões aos seus símbolos, evocados no samba-enredo: as matriarcas Dona Zica (mulher de Cartola) e Dona Neuma (filha de um dos fundadores), ambas já falecidas, o jequitibá que lhe serve de apelido ("jequitibá do samba"), os trechos de composições de Cartola ("divina dama", "alvorada").

Os componentes driblaram as falhas do som cantando bem alto o samba, em especial o refrão simples e cheio de brios: "Eu vou cantar a vida inteira/ pra sempre Mangueira/ tem que respeitar". A escola foi enxugada esse ano, para que o desfile saísse mais barato. Saiu com cerca de quatro mil componentes - já chegou a ter mil a mais -, o que rendeu leveza às alas. 


"A Mangueira é mais Mangueira quando fala de si mesma" - foi o lema traçado para o desfile desse ano. O carnavalesco Cid Carvalho o seguiu à risca "vestindo" a escola de verde e rosa, em variados tons, e distribuindo ícones da Mangueira pelos setores. 

O carro que representava as cantoras Alcione, Beth Carvalho, Rosemary e Leci Brandão foi bastante saudado pelo público. Alcione, que demonstrou tensão por conta da chuva ao chegar ao carro, acabou queimando o pé em uma lâmpada e foi retirada da avenida de cadeira de rodas. 

A comissão de frente, a cargo do coreógrafo Carlinhos de Jesus, alusiva à Vó Luciola, parteira lendária do Morro da Mangueira, já prenunciava o desfile emotivo e afetivo, mas de carros pouco luxuosos e sem os efeitos especiais das escolas milionárias. 

Na concentração, o presidente, Chiquinho da Mangueira, tentava não demonstrar apreensão quanto à chuva, ainda que a água chegasse ao tornozelo dos componentes. "Deus dá o que a gente pede. Não pedimos tanto a chuva? Não posso reclamar, com tanta gente por aí passando sede. Até porque em 1968 a Mangueira foi bicampeã na Avenida Presidente Vargas debaixo de um temporal", disse, referindo-se à estiagem na Região Sudeste.

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